Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, defendeu nesta sexta-feira a manutenção de Geraldo Alckmin como vice na chapa de reeleição do presidente Lula. Para Haddad, a continuidade da composição vitoriosa de 2022 é o caminho “natural” para o cenário político atual. A declaração surge como um contraponto às recentes sinalizações de Lula, que chegou a cogitar o nome de Alckmin para uma disputa ao Senado, evidenciando o debate interno sobre a melhor estratégia para o palanque governista.
Em seu primeiro dia fora do Ministério da Fazenda, Haddad projetou que a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes deve repetir o embate de 2022 contra o atual governador Tarcísio de Freitas. O petista subiu o tom das críticas ao adversário, afirmando que Tarcísio ainda carece de “identificação com o estado”. Ao mesmo tempo, Haddad reconheceu que o interior paulista permanece como o maior desafio eleitoral de sua candidatura, indicando que pretende priorizar viagens e agendas na região para tentar reverter a vantagem histórica da direita no setor.
Sobre a gestão estadual, o ex-ministro adotou uma postura cautelosa em relação a projetos polêmicos em andamento. Ele afirmou que não pretende revogar automaticamente iniciativas estruturantes, como a privatização da Sabesp ou a transferência da sede do governo para o centro da capital. Segundo Haddad, essas propostas serão avaliadas sob critérios estritamente técnicos antes de qualquer decisão definitiva, sinalizando ao mercado e ao eleitorado uma transição baseada no diálogo e na análise de viabilidade, em vez de rupturas ideológicas imediatas.
A fase atual de Haddad é de articulação e montagem de base para a pré-campanha. O ex-ministro já deu início a uma série de reuniões com lideranças políticas, parlamentares e especialistas para estruturar o plano de governo que apresentará aos paulistas. Entre os encontros previstos, destaca-se uma conversa com o próprio Alckmin, buscando consolidar o apoio do vice-presidente e ampliar o arco de alianças para além do PT, em um esforço para atrair setores do centro e fortalecer sua competitividade na maior vitrine política do país.
