O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), foi filmado proferindo xingamentos contra indígenas que protestavam na barragem de José Boiteux, no Vale do Itajaí, que passa por obras e está localizada dentro do território tradicional do povo Xokleng.
O episódio ocorreu na quarta-feira (8), durante uma agenda oficial do parlamentar, e foi registrado em vídeo, que passou a circular nas redes sociais.
O primeiro episódio ocorreu durante uma entrevista à emissora Record TV, quando o governador afirmou que estava “restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas”. Logo depois, ele interrompeu a própria fala, voltou-se para os manifestantes e disparou: “Vai para a put* que o pariu”.
Ao retomar a entrevista com o canal, Jorginho afirmou que o governo “nunca esteve em uma fase tão boa”. Na sequência, uma mulher questionou as declarações do político, que respondeu com outro xingamento: “a senhora não quer ir à merda?”. A moça responde que é cacique e exige respeito. Jorginho, por sua vez, pergunta: “e eu com isso?”.
Sobre o ocorrido, o governo catarinense declarou em nota que “um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao governo do estado”. O texto, no entanto, não menciona as ofensas feitas por Jorginho Melo durante o episódio.
A barragem é alvo de controvérsias desde sua construção, iniciada na década de 1990. Na época, o Governo Federal ficou responsável pela implantação da estrutura dentro da Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng, área oficialmente demarcada, provocando impactos socioambientais que ainda afetam o território.
A estrutura foi criada com o objetivo de ajudar no controle de enchentes em outras regiões do Estado. A operação da barragem, especialmente em períodos de chuva, ficou sob responsabilidade do Governo Estadual. No entanto, a falta de definição sobre quem deve arcar com os prejuízos causados às comunidades indígenas afetadas gerou uma série de conflitos e impasses entre os governos e os moradores das aldeias.
