Fraude no INSS: operação aponta propina de R$ 1,5 milhão a deputada do MDB do Ceará

Nayara Vieira
3 min de leitura
Gorete Pereira (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

A Polícia Federal (PF) apontou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) recebeu propinas milionárias para viabilizar acordos fraudulentos envolvendo o INSS. A parlamentar foi o principal alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (17/3), que investiga um esquema de desvios e descontos indevidos em aposentadorias. Por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso, a deputada passará a ser monitorada por meio de tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas cautelares diversas da prisão. Informações de Igor Gadelha, do Metrópoles.

As investigações baseiam-se em mensagens interceptadas pela PF e em movimentações bancárias suspeitas na conta da parlamentar. Em um dos diálogos, o empresário Natjo de Lima Pinheiro, também preso na operação, menciona com indignação que Gorete estaria ganhando R$ 1,5 milhão no esquema. Além disso, o ministro Mendonça citou uma tabela de propina enviada pelo empresário à ex-presidente da Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas, Cecília Rodrigues Mota, na qual o nome da deputada aparece vinculado ao recebimento de R$ 780,4 mil.

De acordo com a decisão do STF, Maria Gorete não apenas era mencionada pelos outros investigados, mas atuava diretamente na articulação do esquema. A PF demonstrou que a deputada ajustava os repasses de valores obtidos ilicitamente com o auxílio de sua sobrinha, Sofia, e de sua secretária, Christiane de Campos Rodrigues. “A deputada lidava diretamente com os investigados no esquema de descontos fraudulentos e fazia esses acertos diretamente”, escreveu Mendonça, destacando a gravidade da participação da parlamentar na estrutura criminosa.

Apesar do pedido de prisão preventiva feito pela PF e endossado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro André Mendonça optou pelo monitoramento eletrônico e restrições de contato. Maria Gorete Pereira, que é suplente e ocupa o mandato devido à licença de Yury do Paredão (MDB-CE), filiou-se ao MDB em janeiro de 2026 após décadas no PL, onde era vista como parte de uma ala pragmática. O avanço da operação agora busca identificar se outros parlamentares ou agentes públicos também foram beneficiados pelo esquema de corrupção.

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