FBI e procuradores dos EUA investigam operações financeiras ligadas à Federação Argentina de Futebol

Patricia Calderon
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Messi (Foto Reprodução Redes Sociais)

A Associação do Futebol Argentino (AFA) passou a ser alvo de uma investigação conduzida por agentes do Federal Bureau of Investigation e procuradores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo o jornal La Nación, as apurações têm como foco operações comerciais envolvendo a empresa TourProdEnter LLC, responsável por administrar contratos internacionais da entidade. Os investigadores buscam entender como mais de US$ 300 milhões foram movimentados pelo sistema financeiro norte-americano e se parte dessas transações pode configurar crimes sob a legislação dos Estados Unidos.

De acordo com a publicação, promotores federais e agentes do FBI começaram a colher depoimentos para esclarecer a estrutura financeira utilizada pela AFA em território norte-americano. Entre as diligências, o empresário Guillermo Tofoni prestou esclarecimentos em uma reunião realizada por videoconferência, na plataforma Zoom, enquanto os investigadores analisam a possibilidade de crimes como lavagem de dinheiro e fraude bancária.

Conforme o La Nación, o caso teve origem a partir de uma iniciativa da então ministra da Justiça da Argentina, Patricia Bullrich. Embora o procedimento inicial tenha sido arquivado, a apuração foi retomada em 2025 pelos procuradores Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger.

Patrick Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e atua em investigações relacionadas a crimes financeiros. Já Michael Berger participou do processo que resultou na condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, por lavagem de dinheiro em Miami.

Segundo o jornal argentino, documentos obtidos durante a investigação reforçam as suspeitas sobre a movimentação dos recursos administrados pela empresa.

O presidente da AFA, Claudio Fabián Tapia, conhecido como “Chiqui”, está nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo. Ele recebeu autorização da Justiça argentina para viajar mediante pagamento de fiança, apesar de responder a uma investigação relacionada ao suposto desvio de contribuições previdenciárias e impostos.

Além de Tapia, o dirigente Pablo Toviggino também aparece entre os principais investigados pelas autoridades.

As apurações passaram a se concentrar na TourProdEnter LLC após a empresa assumir a função de agente de cobrança dos contratos firmados entre a AFA, patrocinadores e parceiros comerciais internacionais.

Ainda segundo o La Nación, a empresa administrava pagamentos de contratos assinados com multinacionais como a Adidas, em um acordo estimado em US$ 60 milhões, e a Warner Bros. Discovery, com cerca de US$ 40 milhões.

O jornal afirma que aproximadamente R$ 1,34 bilhão em receitas da entidade argentina passaram pela TourProdEnter LLC. No entanto, o destino de parte desses recursos ainda é objeto de investigação.

A reportagem também informa que cerca de US$ 57 milhões, valor próximo de R$ 300 milhões, teriam sido distribuídos entre empresas e beneficiários ligados à organização esportiva sem justificativa financeira identificada até o momento.

As movimentações financeiras investigadas teriam ocorrido por meio de instituições como Citibank, Synovus, Bank of America, JPMorgan Chase e PNC Bank.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada pelas autoridades norte-americanas. Conforme o La Nación, o Departamento de Justiça avalia solicitar ao governo de Javier Milei acesso a novas informações sigilosas para dar continuidade às investigações.

Em manifestação ao jornal, representantes da AFA nos Estados Unidos afirmaram que as diligências ainda não representam responsabilização criminal. O embaixador da entidade no país, Tomás Regalado, declarou: “As medidas de investigação por si só não determinam responsabilidade nem culpabilidade”.

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