EUA impõe sanções a pessoas e empresas brasileiras por elo com PCC

Patricia Calderon
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º/7) sanções contra dois brasileiros, três empresas do Brasil e uma empresa de Portugal apontados como integrantes de uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação representa a primeira medida do tipo adotada pelos EUA contra pessoas e empresas relacionadas à facção após a classificação do grupo como organização terrorista pelo governo americano.

Foram incluídos na lista de sancionados Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Entre as empresas afetadas estão Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, de Portugal.

A decisão determina o bloqueio de bens e ativos dos envolvidos que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos. Além disso, cidadãos e empresas americanas ficam impedidos de realizar negócios com os sancionados. Instituições financeiras estrangeiras que mantenham operações consideradas relevantes com os alvos também podem ser submetidas a sanções secundárias.

A investigação contou com a participação do FBI, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e de uma força-tarefa do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Segundo o governo americano, Victor Shimada teria atuado como intermediário entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. O comunicado afirma que ele teria participado da lavagem de mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades criminosas em diferentes cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir valores ao Brasil.

Shimada é sócio da Victory Trading, empresa que também foi incluída nas sanções. A companhia é investigada no Brasil em uma apuração relacionada ao contrato de patrocínio da casa de apostas Vai de Bet com o Corinthians.

Sem citar diretamente o clube, o Departamento do Tesouro americano afirmou que a Victory Trading teria sido utilizada para movimentar recursos ilícitos relacionados a um esquema envolvendo um clube brasileiro de futebol.

“Victory foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária”, diz comunicado pelo governo americano.

Segundo investigação conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), a empresa teria realizado um repasse de R$ 200 mil para a UJ Football Talent Intermediação. O valor teria sido direcionado à Neoway Soluções, empresa que, conforme a apuração, estaria registrada em nome de um laranja.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é apontada como secretária e colaboradora de Shimada. De acordo com as autoridades americanas, ela seria responsável por auxiliar na organização da coleta de valores em dinheiro.

Em 5 de junho, o governo do presidente Donald Trump classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A decisão foi assinada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Com a mudança de classificação, as duas facções passaram a ser tratadas pelo governo dos Estados Unidos além da categoria de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. A medida amplia os instrumentos disponíveis para autoridades americanas atuarem contra estruturas financeiras e operacionais mantidas fora do território dos EUA.

A designação também cria restrições para pessoas e empresas que ofereçam apoio às organizações. Pela legislação americana, indivíduos estrangeiros identificados como integrantes ou apoiadores das facções podem enfrentar impedimentos migratórios, incluindo cancelamento de vistos e medidas de deportação quando aplicável.

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