Erika Hilton diz que foi “equivocada” após usar o termo “imbeCIS” ao responder críticas

Nayara Vieira
3 min de leitura
Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) (Reprodução: TV Cultura)

Durante sua participação no programa Roda Viva na noite desta segunda-feira (30), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi confrontada pela jornalista Clarissa Oliveira sobre embates recentes com a oposição. O questionamento focou no episódio em que a parlamentar mandou a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) “hidratar o cabelo”, além de uma publicação em que chamou opositores de “imbecis”. Ao ser indagada se tais falas não retroalimentariam o discurso de ódio na política, Hilton negou essa visão, argumentando que suas declarações foram tiradas de contexto em um período de ataques severos: “Aquele dia tinha sido um dia muito doloroso, muito difícil, muito desgastante, com uma enxurrada de ameaças de morte, de ridicularização e de pinturas nuas minhas circulando nas redes sociais”.

Erika Hilton enfatizou que sua reação não teve a intenção direta de ofender colegas parlamentares no exercício do mandato, mas sim de responder a grupos extremistas na internet. Segundo ela, se o objetivo fosse o ataque direto, a postura seria diferente: “Se quisesse chamar alguma das senhoras de imbecis, eu faria aqui, dentro da Câmara dos Deputados. Eu fiz aquilo na internet me referindo a esses grupos odiosos que me ameaçavam”. A deputada defendeu que utilizou a ironia e o deboche como ferramentas de autodefesa para demonstrar desdém pelas críticas ao seu trabalho político, pontuando: “Não fiz pensando em alimentar o jogo político-eleitoral. Fiz pensando em me proteger, fiz pensando em colocar uma posição contundente, fiz pensando em colocar uma posição firme e depois achei até que eu fui um pouco equivocada”.

Ao refletir sobre as repercussões, a parlamentar admitiu uma certa dose de ingenuidade, não pelo conteúdo de sua resposta, mas por subestimar a capacidade da oposição de distorcer suas palavras. “Eu já tendo esse conhecimento, talvez eu devesse ter me precavido mais, eu deveria ter sido um pouco mais atenta e pensado: será que elas não vão tentar tirar isso daqui de contexto? Será que não vão transformar esse texto em alguma outra narrativa? Nesse ponto, eu reconheço que fui um pouco ingênua, fui um pouco leviana”, desabafou Hilton, reconhecendo que a exposição de sua fala permitiu a criação de narrativas adversas.

A polêmica

O comentário central da polêmica foi um tuíte publicado por Erika logo após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, momento em que enfrentava forte resistência. No texto original, que gerou o questionamento da jornalista, a deputada havia declarado de forma incisiva: “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”. Na mesma sequência de mensagens, ela reforçou sua posição de autoridade e resistência ao escrever: “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”.

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