Empresas de fachada movimentaram R$ 312 milhões em suposto esquema de fraudes contra aposentados do INSS

Patricia Calderon
3 min de leitura
Empresas de fachada movimentaram R$ 312 milhões em suposto esquema de fraudes contra aposentados do INSS (Foto Reprodução Redes Sociais)

Empresas registradas em salas comerciais sem funcionamento efetivo movimentaram R$ 312,4 milhões durante um esquema investigado por descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações constam no relatório final da Polícia Federal (PF), que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas.

Segundo a investigação, os valores passaram por empresas ligadas ao casal Cícero Marcelino de Souza Santos e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, apontados pela PF como responsáveis pela operação financeira do esquema. Os investigadores identificaram que várias dessas empresas estavam registradas em salas comerciais na Avenida Washington Luiz, em Presidente Prudente (SP), onde não foi encontrada estrutura compatível com o elevado volume de recursos movimentados.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, realizada em abril de 2025, policiais verificaram que os endereços funcionavam praticamente sem qualquer atividade. Conforme o relatório, os imóveis estavam vazios, sem funcionários, computadores, documentos ou equipamentos que indicassem o funcionamento das empresas.

Testemunhas ouvidas durante a investigação também informaram que as salas permaneciam fechadas durante o horário comercial e não apresentavam movimentação empresarial.

De acordo com a Polícia Federal, após o INSS repassar os valores arrecadados com descontos associativos à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), aproximadamente 91% dos recursos era transferido para empresas vinculadas ao grupo investigado.

Ainda segundo os investigadores, essas pessoas jurídicas eram utilizadas para distribuir os valores entre diferentes contas e dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.

O relatório cita empresas registradas em nome de pessoas ligadas ao casal, com atividades econômicas diversas, incluindo consultoria, locação de veículos, papelaria e agropecuária.

Nas buscas realizadas na residência dos investigados, a Polícia Federal apreendeu uma BMW X5, uma Land Rover Defender, armas de fogo, R$ 12.490 em dinheiro e equipamentos eletrônicos que serão submetidos à perícia.

As investigações também indicam que Cícero Marcelino exercia a coordenação financeira do grupo, administrando a movimentação dos recursos por meio da rede de empresas e mantendo contato com outros investigados envolvidos no caso.

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