Dino autoriza abertura do terceiro inquérito envolvendo Lulinha

Patricia Calderon
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Lulinha (Foto: Reprodução)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O pedido partiu da Polícia Federal (PF), que pretende investigar a possível atuação de um grupo em supostos negócios ilegais relacionados a setores do governo federal. O caso se soma a outras duas apurações que já tramitam no STF e envolvem suspeitas levantadas pela corporação.

Na mesma decisão, Dino também permitiu a abertura de uma investigação específica sobre o possível vazamento de dados sigilosos relacionados ao caso. Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que recebeu a abertura do procedimento com tranquilidade e declarou confiar na condução da apuração pelo ministro.

Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva afirmam que pretendem utilizar o inquérito para esclarecer dúvidas relacionadas às atividades pessoais e profissionais do empresário. A defesa também reforçou que ele não teria qualquer envolvimento com práticas irregulares.

Os representantes de Lulinha também questionaram a divulgação de informações que consideram vazamentos seletivos e criminosos de dados sob sigilo. Segundo os advogados, haveria setores da Polícia Federal sendo utilizados para atender a interesses político-eleitorais. A defesa, porém, destacou a atuação da direção-geral da corporação na tentativa de garantir a autonomia e a independência da instituição.

De acordo com os advogados, investigações anteriores já teriam demonstrado que Lulinha não participou, de forma direta ou indireta, de atividades ilícitas. O novo procedimento representa a terceira solicitação da PF para investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um intervalo inferior a uma semana.

A sequência de apurações começou em 30 de julho, quando o ministro André Mendonça autorizou uma investigação sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.

Na ocasião, a PF levantou a hipótese de que Lulinha teria atuado em benefício de interesses associados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Um dia depois, Mendonça autorizou outro inquérito para verificar se Lulinha teria beneficiado empresários interessados em estabelecer negócios com a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, a Dataprev, além de outros órgãos públicos.

A segunda apuração conduzida pela PF envolve suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os procedimentos tiveram origem em informações obtidas durante a operação “Sem Desconto”, que investiga possíveis fraudes em descontos realizados sobre aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Polícia Federal ressalta que os novos inquéritos não investigam diretamente as fraudes relacionadas aos benefícios previdenciários. O foco está na possibilidade de Lulinha ter atuado em favor de empresários e lobistas em negociações ou interesses relacionados a setores do governo federal.

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