Desinteresse político cresce entre jovens e interesse por eleições cai 20%

Douglas Lima
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Interesse dos jovens brasileiros pela participação eleitoral registra queda em comparação aos últimos pleitos - Foto: Divulgação

Após registrar forte engajamento da juventude nas eleições de 2022, quando mais de 2,5 milhões de adolescentes de 16 e 17 anos solicitaram o título de eleitor, o cenário para a próxima disputa presidencial indica uma redução no interesse desse público pela participação eleitoral.

Dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o interesse dos jovens em participar das eleições recuou mais de 20% em comparação com o pico registrado há quatro anos.

Entre os fatores apontados para essa queda está uma mudança no processo de emissão do título eleitoral. Enquanto em 2022 o procedimento podia ser realizado integralmente de forma digital, atualmente é necessário comparecer presencialmente para o cadastramento biométrico.

Diferentemente de 2022, quando campanhas de mobilização e personalidades como o ator Leonardo DiCaprio incentivaram os jovens a tirar o título de eleitor e participar do processo democrático, o cenário atual é marcado por um engajamento mais discreto. Se antes a obtenção do primeiro título era celebrada e compartilhada nas redes sociais, agora os indicadores apontam para um aumento da apatia e do distanciamento da juventude em relação à política.

Para alguns analistas, essa mobilização mais discreta reflete um certo desencanto de setores progressistas em relação ao engajamento de um eleitorado jovem que, em parte, tem demonstrado posições mais conservadoras em pesquisas e debates públicos.

Segundo essa avaliação, o entusiasmo para incentivar a participação política desse grupo teria diminuído em comparação com eleições anteriores.

Uma pesquisa da Friedrich Ebert Stiftung, divulgada no fim de 2025, apontou que 44% dos jovens brasileiros se identificam politicamente como de centro. Entre os entrevistados, 38% se posicionaram à direita, dos quais 17% se declararam de extrema direita, enquanto 18% afirmaram ter alinhamento com a esquerda.

“Esse novo eleitorado poderia, de fato, servir como uma grande massa de manobra ou público-alvo de presidentes e forças autocráticas”, segundo o pesquisador.

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