“Crise de confiabilidade no Judiciário é grave e precisa ser reconhecida”, diz Cármen Lúcia

Nayara Vieira
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Cármen Lúcia anuncia saída antecipada do TSE (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira (17/4) que o Poder Judiciário enfrenta uma crise de confiabilidade “grave e séria”. Durante palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV), a magistrada defendeu que o reconhecimento desse cenário é o primeiro passo para correções necessárias. Segundo ela, existem equívocos e erros que precisam ser aperfeiçoados, ressaltando que a perda de credibilidade não é um fenômeno restrito ao Brasil, mas um desafio global que as instituições judiciais precisam enfrentar.

A magistrada destacou que a desconfiança, especialmente em relação ao Supremo, precisa ser analisada em profundidade para entender suas causas e mecanismos. Cármen Lúcia alertou para a existência de um movimento internacional que visa enfraquecer o Judiciário como forma de fragilizar o próprio Direito. Para a ministra, as instituições estão sob constante pressão externa, o que amplia a necessidade de transparência e aperfeiçoamento das práticas jurídicas.

As declarações surgem em um contexto de alta exposição e tensão institucional. Dados recentes do Datafolha revelam uma ambivalência na percepção popular: enquanto 71% dos brasileiros consideram a Corte essencial para a democracia, 75% acreditam que os ministros detêm poder excessivo. Além disso, três em cada quatro entrevistados afirmam que a confiança no tribunal diminuiu, refletindo o impacto de debates sobre as relações entre magistrados e o setor privado e o embate direto com o Congresso Nacional.

O desgaste também foi sentido em episódios políticos recentes, como no relatório final da CPI do Crime Organizado. Embora a proposta de indiciamento de ministros do STF tenha sido rejeitada pelos parlamentares, o caso motivou discussões internas na Corte sobre a criação de regras mais rígidas para o compartilhamento de dados em investigações. A situação evidenciou a delicada relação entre os poderes e a necessidade de definir limites claros para a atuação de cada instituição.

Ao final do evento, Cármen Lúcia compartilhou planos sobre o seu futuro profissional após a aposentadoria compulsória aos 75 anos. A ministra revelou que pretende retornar à advocacia, profissão na qual afirmou ter tido “mais alegrias” do que na magistratura.

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