Caso Thawanna: Justiça manda arquivar inquérito por resistência

Nayara Vieira
3 min de leitura
Caso Thawanna: Justiça manda arquivar inquérito por resistência

A Justiça de São Paulo determinou recentemente o arquivamento do inquérito que investigava Luciano Gonçalves dos Santos pelo crime de resistência. Luciano acompanhava sua esposa, Thawanna da Silva Salmázio, no momento em que ela foi fatalmente baleada por uma policial militar na zona leste da capital. A Polícia Militar sustentava que ele havia desobedecido ordens e agido de forma agressiva verbalmente contra a equipe durante a ocorrência, que completou um mês no início de maio.

O pedido de arquivamento partiu do Ministério Público, que destacou a ausência de provas sobre o uso de violência ou grave ameaça por parte de Luciano. De acordo com a promotoria, a reação emocional e a exaltação verbal do investigado no momento do ocorrido não configuram o crime de resistência previsto em lei. O entendimento é que não houve dolo específico ou qualquer conduta que justificasse a abertura de uma ação penal contra ele.

No documento oficial, a promotora Ana Luisa Toledo Barros ressaltou que Luciano é, na verdade, a principal testemunha presencial do homicídio de sua esposa. Ela classificou como descabido o fato de ele ser processado enquanto lidava com a perda trágica. A decisão judicial, proferida pela juíza Alice Galhano Pereira da Silva, seguiu esse parecer, embora tenha deixado aberta a possibilidade de retomada das investigações caso surjam novas evidências.

Enquanto o inquérito contra Luciano foi encerrado, a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, autora do disparo, sofreu sanções severas da Justiça. Ela foi suspensa de suas funções públicas, teve o porte de arma cassado e está proibida de manter contato com testemunhas ou familiares da vítima. Além disso, a agente deve cumprir recolhimento domiciliar noturno e não pode deixar a comarca sem autorização prévia, atendendo a pedidos da polícia e do Ministério Público.

O incidente que levou à morte de Thawanna ocorreu na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes. Segundo relatos, a confusão começou após uma viatura da PM passar em alta velocidade e atingir o braço de Luciano com o retrovisor. A discussão subsequente entre Thawanna e a policial Yasmin culminou no disparo fatal. Imagens de câmeras de segurança registraram o diálogo antes do crime, e foi confirmado que a policial não utilizava câmeras corporais no momento.

Thawanna chegou a ser levada ao Hospital Tiradentes, mas faleceu devido aos ferimentos. O caso gerou indignação também pela demora no socorro; a vítima esperou cerca de 30 minutos pelo resgate, apesar de estar a menos de 4 km de distância da unidade hospitalar. O tempo estimado de deslocamento para aquele horário seria de no máximo 12 minutos, o que levou o Corpo de Bombeiros a abrir uma apuração sobre o atendimento prestado.

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