Caso Master: Irmã de Sicário disse que poderia “acabar com a família” de Vorcaro

Patricia Calderon
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Sicário e Daniel Vorcaro (Foto Reprodução)

Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, teria ameaçado divulgar arquivos que poderiam comprometer a família do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, conforme documentos da Polícia Federal (PF). Segundo os investigadores, integrantes da suposta organização criminosa atribuída a Vorcaro teriam tentado impedir a divulgação do material e buscado negociar o silêncio da mulher.

O documento foi elaborado pelos investigadores e teve o sigilo retirado nesta terça-feira (16). Sicário foi preso em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e era apontado pela PF como uma pessoa próxima a Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, ele teria participação em atividades como monitoramento de pessoas, obtenção irregular de informações e ações de intimidação. Após a prisão, Luiz Phillipi morreu. Os exames periciais apontaram suicídio.

De acordo com o relatório policial, após a prisão e morte de Sicário, Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo”, teria atuado para liberar recursos financeiros destinados à família Mourão, que enfrentava dificuldades econômicas. Ele é descrito pela investigação como uma pessoa próxima ao grupo ligado à família Vorcaro.

Mensagens interceptadas pela PF mostram que Joana teria procurado pessoas relacionadas ao ex-banqueiro para relatar problemas financeiros. Em uma das conversas, ela afirmou que precisava pagar uma parcela de R$ 40 mil de um financiamento, além dos custos da residência onde mora. “Estou desesperada já”, escreveu.

Depois desse contato, segundo os investigadores, Manolo teria conversado com Keysom Moreira, primo de Joana. Em uma das mensagens, ele teria afirmado: “Vou na mãe dela, que esta menina é descontrolada”.

A PF também investiga a relação entre Manolo e o grupo chamado de “Turma”, apontado como responsável por ações de pressão, ameaças e levantamentos clandestinos. Conforme o relatório, esse núcleo teria ligação com operadores envolvidos em atividades ilegais e utilizaria a reputação de seus integrantes para intimidar possíveis alvos.

Segundo os investigadores, Manolo era considerado um aliado próximo de Daniel Vorcaro e teria sido utilizado como um “instrumento de pressão física e moral” em favor dos interesses da família. A PF afirma que a influência atribuída a ele no meio da contravenção teria sido usada para reforçar ameaças e constranger pessoas.

Diante das declarações feitas por Joana, a investigação aponta que Manolo marcou um encontro presencial com ela em 28 de abril de 2026. A mulher teria participado da reunião acompanhada da mãe, Denise. A conclusão dos investigadores foi baseada em mensagens enviadas por Manolo a Henrique Vorcaro, nas quais ele relatava estar reunido com a “mãe” e avisava quando deixava o local.

Em uma das conversas, Manolo escreveu para Henrique Vorcaro: “Henrique, boa noite. Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão”. Ainda segundo a PF, a reunião terminou por volta de 0h38. Pouco depois, Manolo enviou outra mensagem ao pai de Daniel Vorcaro: “Saí agora, amanhã conversamos”.

Mesmo após o encontro, os investigadores afirmam que Joana continuou mencionando a possibilidade de divulgar documentos contra integrantes da família Vorcaro.

Em 7 de maio de 2026, segundo a PF, ela enviou a Manolo um link de uma publicação no Instagram sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Na sequência, afirmou que pretendia tornar públicas informações envolvendo Henrique Vorcaro.

“Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”, escreveu Joana em uma mensagem interceptada. Conforme os investigadores, a sigla “HV” faria referência a Henrique Vorcaro.

Em outra conversa, registrada em 12 de maio de 2026, Joana questionou Manolo sobre a assinatura de um contrato. “Bom dia! Como vc está?! Tudo certo?! Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?! Me liga qdo puder por favor?”, enviou.

A Polícia Federal afirma que a mensagem estaria relacionada à participação de Joana no quadro societário da JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda. Durante consulta aos registros da Receita Federal, os investigadores identificaram que Joana Machado de Moraes Mourão aparece como sócia-administradora da empresa, que possui capital social de R$ 1 milhão.

Até o momento, a PF informou que não confirmou se o contrato citado chegou a ser formalizado. Para os investigadores, porém, as movimentações podem indicar uma possível tentativa de lavagem de dinheiro. A suspeita é de que valores obtidos por Sicário em atividades criminosas atribuídas a ele poderiam ter sido destinados a familiares.

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