Caso Gritzbach: júri é suspenso após confusão e saída de advogados

Patricia Calderon
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Gritzbach (Foto Reprodução Redes Sociais)

O julgamento dos três policiais militares denunciados pela execução de Vinícius Gritzbach, apontado como delator do PCC, foi suspenso nesta segunda-feira (22) após um desentendimento durante a sessão do Tribunal do Júri. A confusão ocorreu enquanto o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes questionava um capitão da Polícia Militar que havia participado de uma operação de busca e apreensão relacionada a um dos réus. Durante a oitiva, foi mencionado um suposto atentado envolvendo um dos advogados de defesa.

A defesa dos acusados afirmou que a situação apresentada durante o interrogatório não tinha relação direta com o caso envolvendo Gritzbach. Após a discussão, os advogados deixaram o plenário e o juiz responsável pelo julgamento decidiu dissolver o Conselho de Sentença, determinando que uma nova data seja marcada para a realização do júri.

Em nota, o Tribunal de Justiça informou que a sessão foi encerrada após o abandono do plenário por parte dos representantes da defesa, provocado pelo conflito com o promotor. Segundo o órgão, a dissolução do Conselho de Sentença ocorreu porque não havia condições para a continuidade dos trabalhos naquele momento. O julgamento deverá ser remarcado em outra oportunidade.

A banca de defesa dos policiais militares divulgou um posicionamento em que repudiou o ocorrido e alegou que os advogados foram alvo de ataques pessoais durante a sessão. Leia a íntegra:

“A banca de defesa dos policiais militares acusados no caso Vinícius Gritzbach vem a público manifestar seu profundo repúdio aos ataques pessoais e às ofensas dirigidas aos advogados que exercem a defesa técnica dos acusados durante a sessão plenária do Tribunal do Júri. No decorrer dos trabalhos, os advogados da defesa foram alvo de manifestações incompatíveis com o ambiente de respeito e urbanidade que deve nortear o Tribunal do Júri, sendo reiteradamente associados, de forma pejorativa, à condição de defensores de “assassinos de aluguel” e “e conversam com assassinos” expressões ofensivas e desqualificadoras dirigidas à advocacia.

Em especial, o advogado Mauro Ribas foi atingido por referências indevidas a um episódio traumático de sua vida pessoal, consistente em atentado anteriormente sofrido, circunstância que foi trazida ao plenário de maneira absolutamente desrespeitosa e desvinculada do objeto do julgamento, em evidente afronta à dignidade profissional e às prerrogativas da advocacia. As sucessivas ocorrências geraram situação de absoluta excepcionalidade, reconhecida pelo próprio Juízo Presidente, tornando inviável a continuidade regular dos trabalhos e culminando na dissolução do Conselho de Sentença.

A defesa informa que adotará todas as providências institucionais e legais cabíveis em razão dos fatos ocorridos, por compreender que o exercício da advocacia criminal é função essencial à administração da Justiça e não pode ser alvo de intimidações, ataques pessoais ou tentativas de deslegitimação. Por fim, a banca reafirma seu compromisso com a defesa dos réus, permanecendo na representação do Tenente Genauro, do Cabo Denis e do Soldado Ruan, aguardando a designação de nova data para julgamento”.

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