Áudio vazado revela Alcolumbre articulando ataque a prefeito

Nayara Vieira
3 min de leitura
Áudio vazado revela Alcolumbre articulando ataque a prefeito (Foto: Reprodução)

Uma gravação obtida pela coluna de Andreza Matais e Samuel Pancher, do portal Metrópoles, revela o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), orientando o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, a intervir juridicamente contra seu adversário político, o prefeito eleito Antonio Furlan (PSD). No áudio, Alcolumbre instrui DaLua a procurar pessoalmente um desembargador do Tribunal de Justiça para tratar de uma ação que favoreceria a Câmara Municipal. O senador enfatiza, por diversas vezes, que o encontro deveria ocorrer de forma isolada, ordenando que o aliado comparecesse ao gabinete do magistrado “sem advogado” para relatar questões políticas e jurídicas.

A conversa expõe a proximidade entre o senador e o membro do Judiciário, a quem Alcolumbre se refere como “meu irmão” e “presidente”. Durante o diálogo, o parlamentar deixa claro que intermediou a reunião para “restabelecer a autoridade” do presidente da Câmara de Vereadores, um aliado histórico. Alcolumbre chega a mencionar que disse ao magistrado que sabe reconhecer quem está ao seu lado e que faz política baseada na gratidão e na entrega de grupo. A articulação visava derrubar uma decisão de Furlan que vetava o reajuste do orçamento da Câmara, que saltaria de R$ 3,9 milhões para R$ 5 milhões.

A reação de Pedro DaLua ao relato de Alcolumbre demonstra o alinhamento total entre os dois políticos. O prefeito interino afirmou estar “todo arrepiado” com as instruções e prometeu se “qualificar” para a reunião no Tribunal de Justiça. Além de aceitar a orientação, DaLua utilizou termos ofensivos contra Antonio Furlan e ofereceu a Alcolumbre um “presente” político: a abertura de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o prefeito afastado. O anúncio dessas investigações seria estrategicamente planejado para coincidir com um evento importante no estado do Amapá.

O cenário de instabilidade em Macapá foi agravado pelo afastamento de Antonio Furlan e seu vice, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início do mês por um período de 60 dias. Ambos são investigados por supostas fraudes na construção do Hospital Geral do município, o que permitiu que DaLua assumisse a prefeitura interinamente. Nesse contexto, a gravação revela como a disputa política local se estende para os bastidores do Judiciário, com o presidente do Senado utilizando seu capital político para influenciar decisões que impactam diretamente seus oponentes na região.

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