Após 23 anos de investigações, polícia chega a políticos ligados ao setor de ônibus

Douglas Lima
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O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite - Foto: Divulgação/Câmara de São Paulo

Após mais de duas décadas de apurações sobre a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público de São Paulo, as autoridades passaram a investigar possíveis conexões entre empresas do setor e políticos do estado.

Operações da Polícia Civil e do MPSP (Ministério Público de São Paulo) investigam candidatos, vereadores e ex-parlamentares.

Entre os nomes que passaram a ser investigados estão o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), que se apresentou à polícia na sexta-feira (18), após a Justiça decretar sua prisão temporária, e Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual.

O vereador licenciado Senival Moura (PT) também foi alvo da investigação: preso em junho de 2026, ele permaneceu detido por mais de um mês antes de ser liberado. Os três são investigados por suspeitas de envolvimento com a facção.

De acordo com o MPSP, a atuação da facção no setor de transporte remonta ao início dos anos 2000. Em 2002, Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada e apontado pelo órgão como integrante da cúpula do PCC, teria utilizado documentos falsos para assumir o comando da Transmetro, cooperativa de transporte com sede em Diadema, na Grande São Paulo. A defesa de Granada nega qualquer envolvimento com os crimes que são investigados atualmente.

As cooperativas formadas por antigos perueiros foram regularizadas por meio de licitações no início dos anos 2000. Segundo o ministério, 12 das 22 empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo na capital paulista estariam, em tese, sob influência ou controle do PCC.

De acordo com a investigação, a facção utilizaria representantes e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para ocultar sua participação nas empresas.

Em 2026, 23 anos após a primeira operação sobre a máfia dos perueiros, o MP chega ao chamado “braço político” do PCC no transporte público.

Um dos primeiros políticos a ser diretamente envolvido nas investigações mais recentes foi Senival. O vereador foi preso em junho, durante a Operação Última Parada, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC por meio da Transunião Transportes.

O vereador licenciado Senival Moura (PT) foi um dos primeiros políticos a ser diretamente envolvido nas investigações. Segundo a polícia, o parlamentar teria exercido influência sobre movimentações financeiras informais e utilizado a Transunião Transportes em um esquema clandestino que, de acordo com as investigações, beneficiaria pessoas ligadas ao PCC.

Quase três meses após a prisão do petista, as investigações também alcançaram Milton, uma figura de ainda maior projeção na política paulistana. Segundo as apurações, ele seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, concessionária que foi alvo da Operação Fim da Linha em 2024, empresa de transporte coletivo investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

A investigação também avançou sobre possíveis conexões com o financiamento eleitoral. Danilo, candidato a deputado estadual em 2026 e derrotado na disputa pela Prefeitura de Praia Grande em 2024, foi preso temporariamente na quinta. A Polícia Civil e o Ministério Público (MP) apuram suspeitas de que a campanha municipal do político tenha recebido recursos de pessoas ligadas ao PCC.

Segundo a investigação, diálogos encontrados em celulares apreendidos indicariam uma articulação para financiar campanhas políticas. Os três negam as acusações e afirmam não ter qualquer envolvimento com as irregularidades apontadas nas investigações.

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