Relator no STF, Mendonça reforça que não haverá tratamento especial a “amigos”

Nayara Vieira
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Ministro André Mendonça (Foto: STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, defendeu a necessidade de imparcialidade e “recatamento” da magistratura durante uma homenagem recebida na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta segunda-feira (6/4). Relator de inquéritos sensíveis, como o caso Banco Master e as fraudes no INSS, Mendonça afirmou que a missão de um juiz exige olhar para as pessoas de modo igualitário, sem “privilegiar amigos ou perseguir inimigos”, rejeitando a ideia de que laços religiosos ou históricos possam interferir em suas decisões técnicas.

Em um discurso de mais de 20 minutos, o magistrado deu recados diretos ao Poder Judiciário em meio a uma crise de credibilidade. Ele destacou que juízes devem exercer uma “prudência maior” em suas relações sociais se comparados aos políticos, sob o risco de comprometer a confiança da sociedade. Mendonça ressaltou que, embora magistrados não estejam imunes a incompreensões, devem evitar ações voluntárias que prejudiquem a imagem da justiça, pontuando que “nem todas as coisas que nos são lícitas nos convêm”.

As declarações de Mendonça ocorrem em um momento de alta tensão em Brasília, com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sob escrutínio devido a conexões indiretas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Enquanto o escritório da esposa de Moraes teve contratos com o Banco Master, Toffoli foi sócio de uma empresa que realizou negócios com fundos ligados ao banqueiro. Como cabe a Mendonça a homologação de uma eventual delação premiada de Vorcaro, há uma forte expectativa sobre o potencial impacto dessas revelações sobre seus colegas de Corte.

A cerimônia na Alesp, onde Mendonça recebeu o Colar da Honra ao Mérito Legislativo, reuniu diversas lideranças políticas, incluindo o governador Tarcísio de Freitas e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Apesar de ter sido indicado ao STF por Jair Bolsonaro e de sua atuação ser frequentemente capitalizada por alas bolsonaristas, o ministro reforçou seu compromisso com a equanimidade em casos que envolvem figuras de todos os matizes ideológicos, reafirmando que não possui o direito de beneficiar ou prejudicar partes por interesses pessoais.

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