Tenente réu por feminicídio afirmou viver “vida precária” com a PM Gisele

Nayara Vieira
3 min de leitura
Coronel volta a afirmar que esposa se suicidou em audiência de custódia (Reprodução / portal g1)

No início da manhã de 18 de fevereiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Júnior, de 53 anos, afirma ter vivido momentos de reflexão sob o chuveiro enquanto a água caía sobre seu corpo. Segundo seu depoimento ao delegado Lucas de Souza Lopes, do 8º DP (Brás), aquele seria o desfecho de seu casamento com a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O oficial relatou que, embora ainda houvesse sentimento entre o casal, a “vida precária” que levavam o fizera comunicar à esposa a decisão de terminar o relacionamento pouco antes de entrar no banho. Esse cenário meditativo, entretanto, teria sido interrompido por um forte estrondo que o fez questionar se a esposa estaria “surtada” e batendo a porta do quarto em sinal de protesto.

O surgimento das inconsistências na versão do oficial

Ao abrir a porta do banheiro, esperando encontrar Gisele em um momento de fúria, Geraldo afirmou ter sido surpreendido ao vê-la caída no chão da sala, com um ferimento mortal de bala na cabeça. Desde o primeiro contato com os serviços de emergência, o tenente-coronel tentou sustentar a tese de que a própria soldado teria tirado a vida. Contudo, o que foi inicialmente registrado como suicídio logo passou a ser investigado como morte suspeita. A narrativa do oficial começou a ruir diante das evidências técnicas e dos depoimentos de testemunhas coletados pela Polícia Civil, que apontaram discrepâncias intransponíveis entre o cenário encontrado e o relato do marido.

A conversão do caso em feminicídio e a prisão

A investigação avançou ao longo de um mês, transformando a suspeita inicial em uma acusação formal de feminicídio. Em março, a reviravolta no caso culminou na prisão preventiva de Geraldo Leite Rosa Júnior, determinada pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM). O oficial foi localizado e detido em um apartamento em São José dos Campos, cidade do interior paulista para onde havia se deslocado após o crime. Atualmente, ele permanece sob custódia, enquanto a justiça analisa as provas que contradizem sua versão de que Gisele teria “descarregado seus demônios” contra si mesma naquela manhã de fevereiro.

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