A Polícia Civil de Pernambuco incluiu fotos das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) em um álbum fotográfico utilizado para reconhecimento de suspeitos. As imagens foram apresentadas a uma vítima de roubo de celular ocorrido em fevereiro de 2025, no Recife, como parte de um inquérito que tramita na 16ª Vara Criminal da Capital. O caso foi identificado e comunicado às parlamentares pela Defensoria Pública do Estado de Pernambuco (DPPE).
Manifestações das deputadas e questionamentos legais
As parlamentares acionaram órgãos competentes e enviaram ofícios à Secretaria de Defesa Social pedindo a retirada imediata das imagens e explicações sobre o critério de seleção. Duda Salabert e Erika Hilton afirmaram que o episódio possui indícios de transfobia institucional e racismo, argumentando que a escolha das fotos se deu por pertencimento a grupos identitários, e não por semelhança física com a descrição da suspeita.
Procedimentos de reconhecimento e atuação da defensoria
A Defensoria Pública questionou formalmente o procedimento, apontando que o método utilizado não seguiu os critérios do Código de Processo Penal. A legislação determina que a vítima deve descrever previamente o suspeito e que a imagem apresentada deve estar ao lado de outras com características físicas similares. Segundo a Defensoria, a inclusão das fotos das deputadas baseou-se exclusivamente em gênero e raça, o que comprometeria a validade do reconhecimento.
Resposta da Polícia Civil e órgãos de segurança
A Polícia Civil de Pernambuco informou, em nota, que está apurando os fatos rigorosamente e que adota protocolos contínuos para orientar a conduta ética de seus servidores. A instituição declarou repudiar qualquer prática de discriminação e reforçou seu compromisso com o cumprimento da lei. Até o momento, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não se manifestou oficialmente sobre como as fotos das autoridades federais foram inseridas no sistema de investigação local.
