A empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, é aguardada como ausência nos depoimentos marcados para esta semana no Congresso Nacional após não ser localizada pelas autoridades. Convocada pela CPMI do INSS nesta segunda-feira (23) e pela CPI do Crime Organizado na quarta-feira (25), Martha, que reside nos Estados Unidos, não respondeu às tentativas de contato de parlamentares, advogados ou da Polícia Legislativa do Senado. A falta de confirmação reforça a expectativa de que ela não compareça às oitivas para prestar esclarecimentos sobre suas relações com o dono do Banco Master.
A convocação ocorreu após o vazamento de mensagens entre a influenciadora e Vorcaro, que a colocaram no centro de uma rede de supostas articulações políticas. Nos diálogos, o banqueiro relata encontros com ministros do Supremo Tribunal Federal e com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Os textos sugerem ainda uma proximidade estreita com o senador Ciro Nogueira, que teria atuado na aprovação de matérias legislativas de interesse do banco, levantando suspeitas sobre o trânsito do empresário nos altos escalões da República.
Para os investigadores, Martha Graeff pode ter tido acesso a informações privilegiadas que ajudariam a aprofundar as apurações contra o ex-noivo. O foco das comissões não se restringe apenas ao conteúdo das conversas, mas também à possível participação da empresária em esquemas de blindagem financeira. Existe a suspeita de que Vorcaro tenha utilizado o nome de Martha para registrar bens milionários, uma manobra que visaria proteger seu patrimônio de bloqueios judiciais decorrentes das investigações em curso contra o Banco Master.
Embora a defesa da influenciadora negue veementemente as acusações de ocultação de patrimônio, o silêncio de Martha diante das notificações oficiais aumenta a pressão sobre o colegiado das CPIs. Os parlamentares buscam entender se as transferências de bens foram legítimas ou se faziam parte de uma estratégia de ocultação de ativos. Sem o depoimento da peça-chave, os investigadores devem agora recorrer a quebras de sigilo bancário e fiscal para rastrear o fluxo financeiro entre o ex-casal e confirmar o teor das mensagens vazadas.
