Caso Isabelle Caracristi: após morte, namorado vetou família em prédio

Patricia Calderon
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A Polícia Civil do Ceará informou que João Munhoz Neto retornou ao apartamento onde vivia com Isabelle Caracristi, de 22 anos, um dia depois da morte da jovem. Segundo a corporação, ele teria ido ao imóvel em busca do celular da namorada e determinado que os familiares dela não entrassem no condomínio. Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, no pátio do Condomínio La Piazza. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Ceará durante coletiva realizada nesta quarta-feira (23/9).

De acordo com a investigação, João está preso e pode responder por três crimes. Além da suspeita de indução ao suicídio, a Polícia Civil avalia possíveis indiciamentos relacionados à obstrução de provas e ao abuso psicológico.

O delegado-geral da PCCE, Márcio Gutiérrez, afirmou que a conduta de João nos dias posteriores à morte chamou a atenção dos investigadores. Além de voltar ao imóvel, ele teria pedido ao administrador do condomínio que impedisse a entrada de parentes de Isabelle.

“O que aconteceu nos dias seguintes também nos levantou um alerta muito grande. Ele (João) compareceu ao imóvel para procurar o celular da Isabelle, proibiu a entrada da família no condomínio e falou para o administrador que não era para permitir a entrada de qualquer familiar. Ele desativou o perfil nas redes sociais e também não atendeu às ligações”, contou o delegado-geral da PCCE, Márcio Gutiérrez.

Ainda segundo o delegado, João não teria atendido às ligações feitas pela mãe de Isabelle no dia seguinte à morte. Ele também não teria comunicado os parentes da jovem sobre o que havia acontecido. A família tomou conhecimento da morte durante a manhã, quando o corpo já havia sido encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

A Polícia Civil também investiga o que ocorreu com o celular de Isabelle. Conforme os investigadores, o aparelho teria sido danificado durante a queda da jovem do terraço, e João teria retornado ao local justamente para procurá-lo.

Além disso, a investigação aponta que o apartamento passou por uma limpeza após a morte e que João teria tentado colocar o imóvel à venda. Para a Polícia Civil, essas circunstâncias podem ter relação com uma possível tentativa de eliminar ou comprometer elementos importantes para a investigação.

Márcio Gutiérrez afirmou que os fatos levantados até o momento podem fundamentar uma acusação por obstrução de provas. A Polícia Civil trabalha com três possíveis indiciamentos contra João: indução ao suicídio, obstrução de prova e abuso psicológico.

“Tudo isso nos deu as condições de representar pela prisão preventiva dele, principalmente para assegurar e preservar a investigação criminal”, explicou o delegado.

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