Dark Horse: Celulares foram lacrados com folga que caberia cabo USB

Douglas Lima
3 min de leitura
Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro - Foto: Divulgação

O Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de São Paulo recusou realizar perícia técnica em aparelhos telefônicos e notebooks apreendidos na investigação que apura suspeitas de irregularidades no contrato do programa WiFi Livre SP e possíveis conexões com a produção do filme Dark Horse, expressão em inglês que significa “azarão”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL).

Os termos de recusa apontam falhas no lacre dos equipamentos apreendidos, o que abria brecha para adulterações. Entre os itens apreendidos estavam os telefones de Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e dona da produtora do longa-metragem.

Os termos de recusa, datados do início de junho, apontam dois tipos de problema. Em 4 das remessas, o rasgo na embalagem permitia retirar o próprio equipamento periciado. Nas outras 13, a abertura dava acesso a cabos de energia e dados.

Segundo o documento, dessa forma seria “possível a manipulação dos dados no interior do equipamento”. Falhas nos lacres levaram o Instituto de Criminalística a recusar 90% dos 29 equipamentos apreendidos na operação, já que os itens poderiam ser violados sem deixar vestígios.

Um termo do Instituto de Criminalística afirma que o lacre de segurança se encontrava fechado e com a numeração preservada, mas a embalagem havia sido acondicionada de modo que permitia o acesso ao equipamento sem o rompimento do lacre.

Os documentos tornados públicos neste domingo (13) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que puxou o caso para a Corte, mostram que, ainda que a operação tenha ocorrido em 1º de junho, os objetos apreendidos só foram levados pela Polícia Civil para a perícia dois dias depois, em 3 de junho.

Em 8 de junho, os agentes certificaram o retorno dos objetos do Instituto de Criminalística, informando que refez os invólucros e colocou novos lacres para preservar a cadeia de custódia.

Para rastrear o destino das verbas do contrato de Wi-Fi, a Polícia Civil apreendeu computadores, celulares, pendrives e documentos no início de junho. A ação mirou endereços ligados ao ICB e às empresas Complexys/FastFuture, Urban Connect, Make One e Ultra IP.

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