PF ouve Daniel Vorcaro em investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master

Patricia Calderon
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Divulgação / Banco Master

A Polícia Federal ouviu nesta sexta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no inquérito que apura sua relação com dois servidores do Banco Central suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em benefício do Banco Master. A oitiva havia sido prevista inicialmente para quinta-feira (27), mas acabou adiada devido a problemas técnicos. Segundo a defesa, o depoimento foi realizado por videoconferência e durou quatro horas e meia.

A investigação é mais uma etapa das apurações sobre a conduta dos ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana durante o processo que terminou com a liquidação do Banco Master. A medida, adotada pelo Banco Central, retirou a instituição financeira do mercado.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele havia sido detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas deixou a prisão poucos dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O novo depoimento ocorreu após tentativas de negociação de um acordo de colaboração premiada. De acordo com pessoas ligadas à defesa, a expectativa inicial era que Vorcaro apresentasse sua versão sobre os acontecimentos analisados pela Polícia Federal.

As apurações têm como foco a atuação de Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. Segundo a investigação, os dois ex-supervisores do Banco Central mantinham uma relação próxima com Vorcaro em um período no qual o Banco Master enfrentava dificuldades de liquidez e estava sob fiscalização da autoridade monetária.

A Polícia Federal e o Banco Central investigam suspeitas de que os dois servidores tenham recebido vantagens financeiras e atuado em favor do então banqueiro em discussões internas relacionadas à fiscalização da instituição, a possíveis medidas de socorro financeiro e a decisões que poderiam influenciar o futuro do Banco Master.

Em nota divulgada após a oitiva, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade em que o ex-banqueiro pôde se manifestar diretamente sobre parte dos fatos sob investigação e responder aos questionamentos apresentados pelas autoridades.

Segundo os advogados, Vorcaro respondeu “de forma clara e consistente” às perguntas formuladas e afirmou que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados no inquérito.

A defesa declarou ainda que o ex-banqueiro continua disposto a prestar esclarecimentos mais amplos e detalhados, desde que tenha assegurada a possibilidade de colaborar com as investigações.

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