Um colar de ouro que o influenciador Buzeira entregou a Neymar durante um cruzeiro em 2023 acabou chamando a atenção da Polícia Civil de São Paulo e serviu como ponto inicial para uma investigação sobre uma possível rede de receptação de joias. A peça, que Buzeira afirmou valer R$ 2 milhões, levou os investigadores até suspeitos de comprar alianças e outros objetos de ouro provenientes de roubos e furtos, derreter o material e colocá-lo novamente no mercado.
Neymar não é alvo da investigação e não há informação nos autos que indique envolvimento do jogador com o esquema. A Polícia Civil também não afirma que o ouro usado na produção do colar tenha origem ilegal.
Nesta segunda-feira (24), a Polícia Civil realizou uma operação para atingir diferentes etapas da suposta cadeia de receptação. A investigação envolve desde pessoas acusadas de roubar alianças e outras joias até intermediários e empresas que comprariam as peças para transformar o ouro e comercializá-lo novamente.
A Justiça autorizou o cumprimento de quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão em São Paulo e Guarulhos. Também foi determinado o bloqueio de R$ 34,6 milhões em contas dos investigados e de aproximadamente R$ 34 milhões em bens relacionados ao grupo.
A apuração chegou a Douglas Bonetti Rocha, conhecido como “Jimmy”, apontado como responsável pela fabricação do colar entregue a Neymar. O nome dele surgiu depois que os investigadores analisaram publicações nas redes sociais relacionadas à joia.
Douglas prestou depoimento à Polícia Civil em janeiro de 2024. Aos investigadores, afirmou que comprava ouro de diferentes fornecedores e também adquiria o metal em leilões realizados pela Caixa Econômica Federal. Na ocasião, apresentou uma nota fiscal no valor de R$ 720 mil.
De acordo com um delegado citado no processo, porém, não foi possível esclarecer naquele momento a procedência de todo o ouro empregado na fabricação da peça. Por isso, os investigadores abriram um novo inquérito para apurar a origem do material e solicitaram ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) um relatório de inteligência financeira.
A história começou a ganhar repercussão em dezembro de 2023, durante o cruzeiro “Ney em Alto Mar”. Buzeira publicou imagens nas redes sociais nas quais aparece entregando a Neymar uma corrente de ouro com pedras preciosas.
Segundo o influenciador, o objeto tinha valor estimado em R$ 2 milhões. Ele contou que decidiu presentear o jogador depois de perceber que Neymar havia demonstrado interesse pela peça, que trazia uma coroa esculpida e o número “00” cravejado.
“Eu resolvi presentear um cara que é minha maior referência, dei minha corrente em forma de medalha. Onde esse cara chegou poucos vão chegar”, afirmou Buzeira na ocasião.
A repercussão do presente e o valor atribuído à joia despertaram o interesse dos investigadores. Ao analisar as publicações relacionadas ao colar, a polícia encontrou referências a Douglas Bonetti Rocha, o “Jimmy”.
Ele foi chamado para prestar esclarecimentos em janeiro de 2024. Durante o depoimento, apresentou documentos referentes à compra de parte do ouro, mas a investigação não conseguiu estabelecer a origem de todo o material usado na peça.
O delegado responsável ressaltou à Justiça que a polícia não teve acesso ao colar e que não foi realizada uma perícia capaz de confirmar o valor efetivo da joia. Também não foi comprovado que o ouro utilizado tivesse procedência criminosa.
A investigação que alcançou Douglas teve origem em uma apuração anterior envolvendo Buzeira e possíveis irregularidades relacionadas a rifas promovidas pela internet.
Apesar de o presente ter sido o ponto de partida para novas diligências, Neymar e Buzeira não foram intimados para depor nesse inquérito. A investigação atual está concentrada nos suspeitos de integrar a cadeia de obtenção, transformação e comercialização de ouro de origem possivelmente ilícita.
