A Polícia Federal pediu à Agência Nacional do Cinema (Ancine) informações sobre o processo administrativo envolvendo a Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A agência tem 10 dias para responder.
O processo foi instaurado pela Ancine após uma denúncia de que uma obra audiovisual estrangeira estava sendo gravada em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida pelo órgão.
Pela regulamentação, produções estrangeiras filmadas no Brasil devem comunicar previamente a Ancine e apresentar à agência a documentação exigida sobre a produção.
Segundo a Ancine, a Go Up não apresentou a documentação exigida para a realização das gravações. Caso a irregularidade seja confirmada, a empresa poderá ser multada em valores que variam de R$ 2 mil a R$ 100 mil.
O pedido da PF ocorre em paralelo à investigação sobre o financiamento do longa. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em julho, a abertura de um inquérito para apurar os repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção. A investigação busca verificar se os recursos foram efetivamente utilizados para financiar Dark Horse.
A origem do caso está em mensagens e áudios que indicam que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria pedido a Daniel Vorcaro recursos para financiar a produção da obra. O valor inicialmente mencionado nas negociações chegou a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), embora os valores efetivamente transferidos sejam objeto da investigação.
A polícia também investiga se parte dos recursos supostamente repassados pelo bancário teria sido usada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.
Dark Horse é estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel e foi rodado em inglês. A produção tem lançamento previsto para depois das eleições de 2026, após a produtora avaliar adiar a estreia para evitar uma eventual associação da obra com a disputa eleitoral.
