Trump determina cota extra de importação de carne e tenta baixar preços nos EUA

Patricia Calderon
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) a ampliação, por 90 dias, da cota para importação de carne bovina destinada à produção de carne moída. A iniciativa pretende elevar a oferta no mercado americano e contribuir para a redução dos preços, especialmente de produtos utilizados na preparação de hambúrgueres.

Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump não especificou quais países poderão aproveitar a nova cota nem detalhou como a medida será operacionalizada. “Enquanto trabalhamos para reconstruir esse rebanho e apoiar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300.000 toneladas de carne destinada à produção de carne moída, sem a incidência de tarifas fora da cota”, disse Trump na publicação.

Trump afirmou que a expectativa é de que a carne importada chegue ao consumidor com preço 25% menor do que os valores atuais. A decisão ocorre enquanto os americanos enfrentam uma forte elevação no custo da carne bovina.

Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço de uma libra de carne moída, equivalente a 453,59 gramas, alcançou US$ 6,82 em junho deste ano. O valor representa uma alta de 79% em relação ao registrado no começo de 2019.

Para Felipe Fabbri, zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, a valorização da carne bovina nos Estados Unidos está ligada principalmente à diminuição do rebanho e da produção. Ao mesmo tempo, a procura pelo produto continua elevada.

O rebanho americano está no menor patamar em 75 anos, enquanto as cotações do gado chegaram a níveis recordes. Esse cenário acabou refletindo nos preços pagos pelos consumidores.

A oferta também foi afetada pela decisão dos Estados Unidos de suspender, em 2025, a maior parte das importações de gado procedentes do México. A restrição foi adotada diante da preocupação com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que atinge o gado.

Mesmo com uma produção expressiva, os Estados Unidos precisam recorrer às importações de carne bovina para complementar o abastecimento interno. A demanda permaneceu firme, contribuindo para manter a pressão sobre os preços.

Fabbri ressalta que ainda não é possível determinar qual será o efeito da nova medida sobre os valores pagos pelos consumidores. O resultado dependerá, entre outros fatores, da forma como as indústrias americanas decidirem utilizar a carne importada.

“É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude, ao menos em parte, a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, afirma.

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