Três vereadores de Sobral são presos durante operação que apura interferência eleitoral

Patricia Calderon
4 min de leitura
Três vereadores de Sobral são presos durante operação que apura interferência eleitoral (Foto Reprodução Redes Sociais)

Três vereadores de Sobral foram presos e tiveram os mandatos suspensos por 180 dias nesta terça-feira (11), durante uma operação que apura uma possível interferência do Comando Vermelho nas eleições do município em 2024 e no processo eleitoral de 2026. A informação foi divulgada pela TV Verdes Mares, que acompanhou a investigação.

Os parlamentares presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União), segundo a apuração da TV Verdes Mares. A operação prevê o cumprimento de 14 prisões preventivas, incluindo as dos três vereadores, além de 25 mandados de busca e apreensão e cinco determinações de afastamento cautelar de agentes públicos. As decisões foram autorizadas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

A Operação Omertá reúne integrantes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), do Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e do Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

Os demais investigados não tiveram os nomes divulgados. De acordo com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), a apuração identificou indícios de que uma organização criminosa cobrava valores de candidatos para permitir a realização de atividades de campanha em determinadas regiões de Sobral.

Segundo o MPCE, as investigações apontam que a organização criminosa cobrava valores entre R$ 30 e R$ 60 mil de candidatos. O pagamento permitiria que os candidatos circulassem e fizessem campanha em bairros sob influência do grupo criminoso.

A investigação também aponta que a facção teria buscado interferir nas decisões políticas dos moradores por meio de ameaças e mecanismos de coação.

Durante uma entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal informaram que o inquérito começou em 2024. Desde então, foram reunidos depoimentos, documentos e outros elementos relacionados à possível participação da organização criminosa no processo eleitoral.

Conforme os investigadores, o valor cobrado variava de acordo com a situação política do candidato. Aqueles que não exerciam mandato teriam de pagar R$ 30 mil, enquanto candidatos que já ocupavam cargos eletivos seriam cobrados em R$ 60 mil.

Entre os investigados estão vereadores de Sobral, um assessor jurídico da Câmara Municipal e pessoas apontadas como integrantes de uma organização criminosa. Uma policial militar e outros agentes públicos também foram afastados das funções pelo período de 180 dias.

O MPCE informou que 20 dos mandados de busca e apreensão determinados pela Justiça já haviam sido cumpridos.

As autoridades investigam crimes relacionados a:

  • integrar organização criminosa,
  • domínio social estruturado,
  • extorsão, na modalidade conhecida como “pedágio eleitoral”
  • corrupção eleitoral,
  • impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral,
  • lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal informou ainda que um advogado está entre os alvos. A suspeita é de que ele participasse da estrutura da organização criminosa, com atuação ligada aos grupos responsáveis pela liderança e pelo cumprimento de determinações destinadas a interferir nas eleições.

Dois agentes públicos também foram afastados de suas funções por 180 dias. Durante a operação, os investigadores apreenderam celulares, documentos e outros materiais que poderão ser analisados no decorrer da apuração. A Justiça também determinou medidas cautelares, incluindo a restrição de contato entre pessoas investigadas e testemunhas.

Outra determinação judicial estabelece que a Câmara Municipal de Sobral forneça uma lista completa dos servidores ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários vinculados ao Legislativo municipal, conforme informações da Polícia Federal.

Os mandados foram autorizados pela Justiça Eleitoral após uma representação apresentada conjuntamente pela FICCO/CE, pela 3ª Promotoria Eleitoral e pelo GAEL. A investigação permanece sob segredo de justiça.

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