Nesta segunda-feira (13), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o parlamentar questionou o momento em que a restrição foi imposta, apontando que a medida afeta diretamente a articulação política no período eleitoral. Segundo Nikolas, “coincidência ou não, o Flávio vai ficar sem conversar com o seu pai, o maior líder da direita, até o final do primeiro turno”.
Para fundamentar sua contestação, o deputado comparou a situação atual de isolamento de Bolsonaro com o período em que o presidente Lula esteve preso em Curitiba, entre 2018 e 2019. O congressista relembrou a intensa rotina de visitas e a ampla cobertura midiática permitida ao petista na época. “Com cela aberta e reuniões diárias, a campanha de Lula é desenhada na prisão. Em três meses, o Lula recebeu 572 visitas lá na cadeia. Tem entrevista, tanto pra imprensa local quanto também internacional”, comentou Nikolas.
O parlamentar também apontou o que considera uma disparidade no tratamento jurídico dispensado aos dois líderes políticos durante períodos de campanha. Ele comparou a liberdade de comunicação de Lula em 2018 com a recente investigação aberta após o senador Flávio Bolsonaro ler, em público, uma mensagem enviada pelo ex-presidente. “Durante a campanha eleitoral de 2018, enquanto o Lula tava preso, veio um porta-voz ler uma carta do Lula. E agora o Moraes vem acionar o Ministério Público Eleitoral pra poder investigar falando que houve propaganda antecipada na divulgação da carta de Bolsonaro”, protestou.
As declarações do deputado refletem a narrativa da oposição de que há uma suposta assimetria nas decisões do Judiciário voltadas aos blocos políticos de esquerda e direita no Brasil. Ao traçar o paralelo entre os dois cenários de reclusão, Nikolas Ferreira busca mobilizar sua base de apoiadores nas redes sociais, questionando a imparcialidade das medidas restritivas que limitam a interlocução do ex-presidente com seus aliados e familiares.
