Justiça inicia nesta segunda-feira o julgamento dos acusados pela morte de delator do PCC

Nayara Vieira
3 min de leitura

Começa nesta segunda-feira (22) o julgamento dos três acusados de executar Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O crime ocorreu em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando a vítima, de 38 anos, foi morta a tiros de fuzil. Investigado por lavagem de dinheiro, Gritzbach colaborava com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O ataque também causou a morte do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, atingido nas costas.

Diante da alta complexidade e do risco do caso, o Fórum Criminal de Guarulhos preparou um esquema especial de segurança, suspendendo todas as outras audiências para restringir a circulação de pessoas. O júri popular, composto por sete jurados, terá a complexa missão de votar 90 quesitos técnicos para definir a culpa ou inocência dos réus. Enquanto os promotores sustentam a acusação com base em farto material de investigação, a defesa dos três acusados trabalha com a tese única de negativa de autoria.

O julgamento deve se estender por uma semana, até a próxima sexta-feira (26). A denúncia, apresentada pelo MP-SP em março do ano passado, mobilizará 21 testemunhas, incluindo policiais e a delegada que presidiu o inquérito pelo Departamento de Homicídios (DHPP). Entre as principais provas reunidas pela acusação estão dados de localização de celulares, exames de DNA e a identificação de uma tatuagem que levou à prisão do primeiro suspeito.

No banco dos réus estão Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues, apontados como os executores encapuzados que dispararam contra as vítimas, além de Fernando Genauro da Silva, acusado de dirigir o carro usado na fuga. Além dos homicídios de Gritzbach e do motorista de aplicativo, os réus respondem por tentativa de homicídio contra outras duas pessoas que sobreviveram ao atentado no movimentado Terminal 2 do aeroporto.

Outros três denunciados pelo crime continuam foragidos, incluindo o suposto “olheiro” que monitorava a vítima no terminal e dois homens apontados como os mandantes do crime. Não há previsão de data para o julgamento desses três réus devido à falta de citação e a recursos pendentes. Em um desdobramento paralelo no fim do ano passado, a Justiça Militar já condenou 11 policiais militares que realizavam a escolta ilegal do delator no dia do assassinato.

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