Pílula contra câncer de pâncreas pode mudar a história da oncologia

André Oliveira
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Uma pesquisa apresentada durante a sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO), considerada o mais importante congresso de oncologia clínica do mundo, emocionou médicos e pesquisadores em Chicago, nos Estados Unidos. O motivo foi a divulgação dos resultados do estudo de fase 3 RASolute 302, que avaliou o medicamento oral daraxonrasib em pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia convencional. A apresentação dos dados provocou uma reação rara no ambiente científico: aplausos de pé e lágrimas entre os especialistas presentes, diante do potencial impacto da nova terapia para uma das formas mais agressivas e letais de câncer.

O estudo envolveu mais de 500 pacientes e seguiu o padrão mais rigoroso da pesquisa médica, com distribuição aleatória entre os grupos que receberam o novo medicamento e aqueles que continuaram com a quimioterapia tradicional. Os resultados mostraram que, entre os pacientes com a mutação RAS G12, a mais comum no câncer de pâncreas, a sobrevida mediana saltou de 6,6 para 13,2 meses. Além disso, o risco de morte foi reduzido em 60%, enquanto o tempo até a progressão da doença mais do que dobrou. Outro dado considerado expressivo foi a redução dos efeitos adversos graves: apenas 1,2% dos pacientes tratados com daraxonrasib precisaram interromper o tratamento devido a reações colaterais, contra 11,2% entre aqueles submetidos à quimioterapia.

Os pesquisadores concluíram que o daraxonrasib deve se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha. Especialistas destacaram que o medicamento conseguiu superar um desafio considerado praticamente impossível durante décadas: bloquear a proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos e historicamente classificada pela ciência como “intratável”. A expectativa agora é pela análise regulatória nos Estados Unidos, enquanto no Brasil uma eventual disponibilização ainda dependerá de aprovações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de avaliações sobre cobertura pelos sistemas público e privado de saúde.

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