O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu publicamente a atuação da Polícia Civil na Operação Wi-Fi, deflagrada para apurar suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões na Prefeitura da capital. A declaração do governador ocorreu no interior paulista, durante uma coletiva de imprensa realizada após a entrega das obras de duplicação da Rodovia Wilson Finardi (SP-191), no município de Rio Claro. Tarcísio buscou afastar qualquer suspeita de direcionamento na ação policial, que gerou forte desconforto na administração municipal.
A manifestação do chefe do Executivo estadual foi uma resposta direta às duras críticas feitas pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). O prefeito sugeriu que a investigação policial poderia configurar um caso de “perseguição política” se estivesse de fato vinculada à produção do documentário Dark Horse, filme que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pano de fundo da disputa envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que venceu a concorrência milionária e que possui ligações com a empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo longa-metragem.
Buscando blindar a corporação de interferências políticas e partidárias, Tarcísio de Freitas enfatizou o caráter técnico e independente da atuação policial no estado. “A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado”, afirmou o governador. A declaração reforça o posicionamento de sua gestão em garantir a liberdade de atuação das forças de segurança em contratos públicos.
Por outro lado, o prefeito Ricardo Nunes demonstrou forte irritação ao ser questionado por jornalistas sobre uma das principais hipóteses levantadas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Os investigadores apuram se parte dos recursos do contrato sob suspeita com a Prefeitura de São Paulo teria sido ilegalmente desviada para financiar as atividades da produtora Go UP durante as gravações do filme. Nunes rebateu a tese defendendo o direito da empresária de possuir diferentes negócios simultâneos.
“Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de aterro sanitário, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito, qual o problema da pessoa ter várias atividades? Então, se é essa a motivação, aí eu acho grave. Aí muda o meu discurso. Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a Prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política”, desabafou o prefeito. Em meio ao embate, a Operação Wi-Fi segue cumprindo mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos, incluindo a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e a sede da ONG investigada.
