Lula reage à proposta de tarifaço dos EUA 

Nayara Vieira
3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu duramente nesta terça-feira (2/6) à proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de taxar em 25% as importações vindas do Brasil. A medida norte-americana surge como uma punição a práticas comerciais consideradas “desleais” e faz duras críticas ao Banco Central e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. Durante o seu pronunciamento, o petista aproveitou o momento para criticar o comportamento da oposição brasileira no exterior e relembrar declarações passadas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em um tom visivelmente irritado, Lula resgatou publicações antigas para expor o apoio de aliados de Bolsonaro a sanções contra o próprio país.

“No dia que ele taxou, eu vou dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Os meninos do Bolsonaro, um deles, que é candidato à presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele twittou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos a Magnitsky’”, disparou o atual presidente em seu discurso.

O chefe do Executivo brasileiro subiu o tom e classificou as atitudes dos familiares de seu antecessor político como um ato de traição nacional. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. […] São traidores. O que merece os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”, acrescentou Lula, inflamando o debate sobre a soberania nacional.

Próximos Passos: O resultado da investigação do governo dos EUA será submetido a audiências públicas, com a primeira marcada para o dia 6 de julho. A palavra final sobre a aplicação definitiva do “tarifaço” caberá exclusivamente ao presidente norte-americano.

Paralelamente ao discurso presidencial, aliados do governo federal iniciaram uma forte campanha nas redes sociais com o mote “o Pix é do Brasil”, acusando o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro de incentivar retaliações de Donald Trump contra a economia brasileira. A polêmica ganhou ainda mais força devido ao fato de Flávio ter se reunido com Trump na Casa Branca na semana passada, apenas dois dias antes de Washington anunciar a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

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