Em mensagem de vídeo enviada no último sábado (30), o Papa Leão XIV defendeu a família como a união sagrada entre “um homem e uma mulher” durante o 16º Simpósio Nacional das Famílias. Realizado no Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo, o evento deste fim de semana reúne mais de três mil fiéis de todo o país sob a organização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Falando em perfeito português, o Pontífice reforçou a doutrina católica ao pregar que a família é a “primeira e essencial célula da sociedade”, devendo ser protegida e promovida como uma singular comunidade de pessoas unidas no amor.
A declaração do Santo Padre reafirma uma postura marcante de seu pontificado, justamente em um cenário global de avanço de decisões judiciais que obrigam o reconhecimento civil do casamento entre pessoas do mesmo gênero — direito que já é reconhecido no Brasil desde 2011. Diante desse panorama e dos desafios cotidianos, Leão XIV orientou os fiéis e a Igreja a adotarem uma abordagem “realista” e compassiva. Ele destacou que o núcleo familiar enfrenta inúmeras fragilidades, crises e angústias, o que exige dos agentes de pastoral um olhar misericordioso e um prudente e maduro discernimento.
Como farol para superar tais adversidades, o Papa apontou o exemplo da Sagrada Família de Nazaré como fonte de inspiração para todos os lares. Segundo o Pontífice, as pequenas e fundamentais virtudes do lar onde Jesus nasceu e cresceu, aprendendo com São José e a Virgem Maria, devem servir de modelo para que as famílias modernas encontrem a verdadeira paz. Essa exortação à espiritualidade e ao acolhimento prático reflete o tom das discussões que movem o evento em Aparecida.
O simpósio deste ano ganha um peso ainda maior ao celebrar o aniversário de duas exortações apostólicas que são os pilares da Pastoral Familiar: os 45 anos da Familiaris Consortio, de São João Paulo II, e os 10 anos da Amoris Laetitia, do Papa Francisco. Ao analisar esses documentos históricos, o encontro busca demonstrar como a Doutrina da Igreja permanece viva e atual, unindo a sólida sabedoria do santo papa polonês ao olhar profundamente humanizador e acolhedor que caracteriza o pontífice argentino.
