Zambelli destinou R$ 2 milhões para entidade ligada a filme sobre Bolsonaro

Nayara Vieira
3 min de leitura

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) colocou sob investigação uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões enviada pela ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Segundo informações reveladas pelo portal Metrópoles, o recurso foi destinado à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, que também atua como produtora da cinebiografia Dark Horse, filme que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O montante enviado por Zambelli tinha como objetivo financiar a produção de Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem, uma série documental de três episódios com viés conservador. O projeto completo previa o custo de R$ 2,6 milhões, sendo abastecido por emendas de outros deputados bolsonaristas, como Marcos Pollon (PL-MS), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF) — esta última ressaltou ao Metrópoles que sua verba foi exclusiva para a série, e não para o filme.

De acordo com o Metrópoles, o dinheiro foi repassado ao caixa do Tesouro do Estado de São Paulo em julho de 2024, mas acabou se misturando às contas gerais do governo e tornando-se temporariamente irrastreável, o que violava as regras da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Após a intervenção e o alerta do TCU, a gestão paulista corrigiu a falha e realocou os valores em uma conta bancária específica e individualizada.

Apesar da regularização contábil, a ONG comandada por Karina da Gama jamais chegou a receber os recursos. Em nota, o governo de São Paulo esclareceu que os valores continuam retidos no caixa estadual devido à falta de documentos obrigatórios por parte da ANC. Caso as pendências burocráticas não sejam resolvidas pela instituição beneficiária, a verba será integralmente devolvida aos cofres da União.

“Se as pendências não forem resolvidas pela ONG, os recursos, que permanecem disponíveis para a execução, serão devolvidos à União, em conformidade com a legislação”, diz o governo em nota.

Paralelamente, a presidente da ANC tornou-se alvo de uma apuração preliminar conduzida pelo ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi motivada por suspeitas de falta de transparência e desvio de finalidade em repasses culturais, envolvendo quatro empresas geridas por Karina que funcionam sob o mesmo endereço físico. A suspeita é de que a fragmentação dessas entidades possa ter sido usada para dificultar o rastreamento do dinheiro público.

O caso ganhou ainda mais repercussão após o vazamento de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro negociava repasses milionários com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa Dark Horse. No escopo das investigações do STF, oficiais de Justiça também tentam intimar o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e ator do filme, para prestar esclarecimentos sobre a destinação de emendas a esse mesmo grupo de empresas.

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