O senador Ciro Nogueira (PP-PI) negou publicamente, nesta terça-feira (12), as conclusões da Polícia Federal (PF) que apontam que uma emenda de sua autoria teria sido redigida integralmente pela assessoria do Banco Master. O parlamentar classificou como “mentira” a versão de que o texto protocolado no Senado seria uma reprodução fiel de material enviado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Nogueira ressaltou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, financiada pelos próprios bancos, sem o envolvimento de recursos da União.
A investigação da PF, que fundamentou a quinta fase da Operação Compliance Zero, sustenta que a proposta não foi elaborada pelo gabinete do senador, mas sim por interesses externos ligados ao Banco Master. Essa suspeita levou o ministro André Mendonça, do STF, a autorizar mandados de busca e apreensão contra o congressista na última semana. Em resposta, Ciro Nogueira afirmou que pretende reapresentar uma nova proposta para corrigir o valor do FGC, sugerindo que, pela taxa Selic, o montante deveria ultrapassar os R$ 840 mil.
No campo jurídico, o senador enfrenta mudanças em sua equipe de defesa. O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, liderado pelo advogado Antônio Carlos Almeida Castro (Kakay), comunicou nesta segunda-feira (11) que não representa mais o parlamentar no caso Master. A saída ocorreu em “comum acordo”, mas os motivos específicos não foram detalhados devido a questões éticas e ao dever de sigilo profissional.
Em notas anteriores, a defesa do senador já havia repudiado a operação policial, reiterando que Ciro Nogueira não participou de qualquer atividade ilícita. Agora, ao reapresentar a emenda sem o vínculo direto com a instituição financeira investigada, o senador desafia os grandes bancos a justificarem possíveis resistências à ampliação da proteção para os correntistas brasileiros.
