Fiuk desabafa após música sobre depressão virar piada: “Não aguento mais”

Nayara Vieira
5 min de leitura
Fiuk desabafa após música sobre depressão virar piada (Fotos: Redes sociais)

O cantor Fiuk, de 35 anos, utilizou suas redes sociais para rebater a onda de piadas e ataques que recebeu após o lançamento da música “Depressão”. A polêmica começou com um vídeo promocional em que ele aparece fumando no chuveiro, o que gerou comentários agressivos como “Você precisa de terapia, querido”, “Caso psiquiátrico” e ofensas direcionadas até ao seu pai, Fábio Jr. Visivelmente incomodado com a repercussão negativa, o ex-BBB desabafou nas redes sociais:

Chega! Não aguento mais fingir que vocês entenderam. Simplesmente, vocês não entenderam nada. Vocês viram um cara no chuveiro fumando e decidiram que já sabiam tudo sobre ele”.

O artista explicou que a composição não é apenas sobre suas vivências pessoais, mas sobre uma dor coletiva que muitos tentam esconder sob aparências de força. Segundo ele, a internet se tornou um ambiente hostil onde o acolhimento foi substituído pelo julgamento precoce.

Estava falando de vocês também, de todo mundo que sente falta, mas finge que não sente, de todo mundo que pede ajuda em silêncio e sorri como se estivesse tudo bem, de todo mundo que olha para alguém ferido e prefere julgar, prefere ferir mais do que perguntar: ‘Está tudo bem?'”, questionou o cantor em seu vídeo.

Fiuk fez questão de negar que o desabafo fosse uma estratégia de divulgação ou um momento de instabilidade emocional, reforçando que seu objetivo era a conexão humana através da vulnerabilidade. Ele criticou a forma como as pessoas projetam suas próprias feridas nos outros para evitar encará-las:

Não, isso aqui não é um surto, isso aqui não é vitimismo e muito menos marketing, isso é só um cara cansado de ver gente machucada querendo machucar os outros de volta. As pessoas estão tão machucadas que elas começam tentar culpar os outros pela própria ferida. Elas projetam, atacam, condenam como se sentir fosse um crime”.

Apesar de admitir já ter enfrentado crises de ansiedade e pânico, o músico assegurou que mantém sua fé e não pretende desistir de sua carreira ou de sua essência. Ao finalizar, ele deixou uma reflexão sobre a falta de afeto e presença nas relações contemporâneas, definindo seu trabalho como uma forma de resistência ao automatismo das redes. “Eu não faço música pra parecer perfeito, faço música para ser verdadeiro. Enquanto muita gente está tentando virar máquina, eu ainda escolho ser gente. Essa música não é um ataque, essa música é um espelho”, concluiu.

CONFIRA A LETRA DA MÚSICA:

Depressão não é meme não, irmão
Pra você é piada, boy, perfeitão, dono da razão
Me julga pagando de mente aberta de evolução
Pra quem nunca afundou, não entende nem de longe a dimensão
Quem não nasceu assim nunca vai ter a visão
De enxergar tudo torto, em linha de produção
Mano, enquanto ‘cê’dorme em paz eu tô em modo contenção
Cabeça campo minado, coração em combustão
Do nada aperta o peito, cinco minutos vira um inferno
Suor escorre frio, coração bate sem terno
Choro mudo no canto, sem barulho externo
Atuando desde cedo pra parecer mais esperto
Medo do escuro, silêncio forçado
Falta de ar, madrugada, corpo travado
Sem dormir, sem chão isolado
No frio pra ver se eu ficava gelado

Lutando todo dia contra mim mesmo
Cigarro atrás do outro no banheiro
Quero viver, mas ainda me sinto preso
Rezo baixo sonhando com tudo que eu mereço
Lutando todo dia contra mim mesmo
Fumaça sobe, disfarçando o desespero

Quero viver, mas ainda me sinto preso
Rezo baixo sonhando com tudo que eu mereço
Papo eu nunca pude ser, tive que ser parecer normal
Menos problema, menos suspeita social
Menos vagabundo, menos instável no jornal
Mais aceitável pra mesa, menos marginal
Hoje é fato, chama de louco, descontrolado
Queria ver segurar onda do meu lado
Crise não avisa, se ligar é fato
‘Cês só veem o efeito, mas nunca o estrago
Anos me enfrentando, me cobrando sem dó
Abra a boca um segundo, cala a boca fresco, desocupado, ó
Quem bebe pra esquecer sou eu ou você que é pior
Esse vazio queima lento junto com meu cigarro só

Aprendi sozinho, tô todo abandonado
Parece cena de filme, fato documentado
Machuco a mim mesmo, meu pecado
Ninguém sabe o peso de se sentir sempre errado
Mesmo sangrando eu sou educado
Achando que ser bom era ficar calado
Hoje eu entendo o preço cobrado
Ser inteiro num mundo que prefere o quebrado

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