Durante sua participação como correspondente no programa Além da Notícia desta quarta-feira (29), a jornalista Patricia Calderón trouxe revelações exclusivas sobre os bastidores da investigação da morte da brasileira Gisele Meira, na Espanha. Patrícia esteve no edifício onde o caso ocorreu.
A jornalista destacou que o cenário inicial foi marcado por desespero e que o laudo de suicídio foi emitido precocemente, antes mesmo de uma perícia detalhada nos aparelhos eletrônicos da vítima.
Confira os principais trechos do relato de Patricia Calderón:
“E quando eu estive no lugar do crime, no local, eu estava fazendo uma cobertura para o site UOL, eu consegui conversar com uma vizinha, que é justamente a vizinha, uma senhora de idade, que chamou a ambulância de socorro. Porque, num primeiro momento, quando o Joel encontra o corpo da Gisele, a primeira coisa é que ele saiu gritando, segundo essa testemunha, essa vizinha. Ele pediu primeiro para esse morador chamar a polícia. Só que o morador, acho que ele ficou tão estático, tão apavorado, que só saiu correndo, gritando. Quando, na verdade, quem chamou a polícia primeiro foi essa vizinha.”
“Mas ela disse que foi uma gritaria, uma choradeira. Que o Joel saía do prédio falando: ‘Ela se matou, ela se matou, ela está pendurada, me ajudem, me ajudem.’ E que ela teria saído ainda viva do lugar. […] Essa idosa com quem eu conversei visualizou todo o cenário. Inclusive, ela tentou entrar no apartamento, a polícia não deixou.”
A correspondente explicou ainda a diferença processual entre os países, ressaltando que, na Espanha, o caso passa diretamente ao controle de um juiz, e não de um delegado, como ocorre no Brasil:
“O documento já saiu, o inquérito policial do local do crime, diretamente para um estilo de juizado que eles chamam aqui, que é como se fosse um cartório civil criminal. Então, o juiz que agora está… Não é um delegado que está com o caso, é um juiz. E esse juiz pegando tudo o que foi recolhido lá no momento para poder investigar.”
Patricia encerrou sua participação apontando falhas graves que podem ter comprometido a apuração inicial dos fatos:
“Uma coisa chamou a atenção de todo mundo: o Joel ficou com os aparelhos celulares da Gisele por vários dias. Então, a polícia daqui, a gente ainda não sabe por que, não teria recolhido esses equipamentos eletrônicos para uma perícia. O corpo da Gisele saiu do local do crime já com um laudo de suicídio. […] O dono da funerária falou assim: ‘Não há o que dizer, ela cometeu suicídio.’ Então, só depois de toda essa movimentação da família, para poder reabrir o processo, que talvez a investigação começasse a ficar um pouco mais detalhada.”
