Assim como ocorre nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), o desfecho de uma delação premiada é cercado de incertezas quanto ao tempo e ao modo de sua conclusão. No entanto, segundo informações do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a expectativa dos envolvidos na colaboração de Daniel Vorcaro é de um rito acelerado. A meta estabelecida pelos negociadores é que o intervalo entre a assinatura do acordo e a devida homologação judicial ocorra em cerca de 90 dias, o que projeta um desfecho para o final de junho de 2026.
O processo de colaboração está sendo costurado em duas frentes simultâneas, envolvendo tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR). Por se tratar de um caso que alcançou instâncias superiores, o termo final de validade jurídica dependerá da homologação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A escolha do relator é vista como um ponto de equilíbrio técnico para um processo que carrega um peso político e financeiro monumental para o sistema bancário nacional.
A celeridade é tratada como um elemento estratégico por quem transita nos bastidores das negociações. “Acordo tem que ter timing. E neste caso não pode ser lento”, revelou uma fonte que participa diretamente das tratativas. A avaliação é que a demora na consolidação das provas pode esvaziar o impacto das revelações ou permitir a ocultação de ativos, especialmente em um cenário onde o volume de recursos desviados e as conexões políticas envolvidas exigem uma resposta rápida das instituições de controle.
