Uma das vítimas do acidente com o Césio-137 em Goiânia, Odesson Alves Ferreira, declarou que a minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, desrespeita a memória de sua família e distorce os fatos reais da tragédia.
Odesson Alves Ferreira, vítima do acidente com Césio-137 em Goiânia, criticou a minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, afirmando que a produção desrespeita a memória de sua família e altera os acontecimentos reais da tragédia.
Aos 71 anos, Odesson critica a série por transformar uma das maiores tragédias radiológicas do Brasil em entretenimento sensacionalista. Ele afirma que o sofrimento das vítimas diretas, incluindo seus irmãos Devair e Ivo, proprietários do ferro-velho onde a cápsula de Césio-137 foi aberta, foi ignorado. Além disso, aponta que a narrativa altera fatos históricos para intensificar o drama e pede mais respeito à memória dos sobreviventes e das vítimas.
“A deturpação dos fatos históricos não foi apenas um erro de narrativa, considero um desrespeito profundo com a memória das vítimas e de nós que sobrevivemos, mas que muitas vezes morremos devido ao acontecimento. Quando se alteraram o fato histórico trágico por conveniência, para tornar a trama mais científica e comercial, cometeram um crime contra a verdade. A história real que vivemos não precisa de floreamentos sensacionalistas, ela foi trágica por si só”, disse em nota ao portal Metrópoles.
“Transformaram vítimas de um sistema irresponsável, em vilões, minimizaram a tragédia para gerar audiência. A negligência na pesquisa, e a falta de compromisso com fontes verdadeiras e a preguiça intelectual de quem conta essa história, demonstram um descaso inaceitável. O resultado? Uma falsa memória coletiva. A verdade histórica importa sim. A memória precisa ser protegida. Não vamos aceitar passivamente que a história seja reescrita por conveniência, pois quem ignora o passado da forma como ele realmente foi, está condenado a repetir seus erros”, desabafou.
Lançada em 18 de março, a obra Emergência Radioativa retrata a tragédia a partir da visão de profissionais de saúde e cientistas que trabalharam para identificar a contaminação e conter a propagação do material radioativo. Embora seja apresentada como ficção inspirada em fatos reais, a produção tem recebido críticas de sobreviventes e da Associação das Vítimas do Césio-137.
A associação ressalta que os produtores não consultaram os atingidos durante a criação da série e que as gravações não ocorreram em Goiânia, cenário real da tragédia. Apesar das críticas, a estreia da minissérie voltou a colocar em pauta a discussão sobre indenizações às vítimas.h
