No livro de memórias póstumo Nobody’s Girl (ou A Garota de Ninguém, em tradução livre), lançado recentemente no Brasil pela Editora Objetiva, Virginia Roberts Giuffre, uma das principais sobreviventes do caso Jeffrey Epstein, relata como foi seu primeiro encontro com o bilionário acusado de comandar uma rede de exploração sexual de adolescentes.
Na época, a jovem tinha 16 anos e trabalhava como atendente no resort Mar-a-Lago, de propriedade do atual presidente dos Estados Unidos Donald Trump, quando conheceu Ghislaine Maxwell, companheira do financista. Ela era responsável por recrutar adolescentes que seriam apresentadas a empresários, políticos, escritores, intelectuais e membros da família real britânica.
Virginia Roberts também relata ter sido vítima de abusos de Jean-Luc Brunel, agente francês que atuava no recrutamento de modelos e esteve no Brasil em 2019, e do então príncipe Andrew, da Inglaterra, investigado em fevereiro deste ano por suspeita de conduta imprópria ligada aos crimes de Epstein, sendo liberado horas depois. O livro é leitura recomendada para quem se interessa por true crime, escândalos internacionais, histórias reais de superação e pelas revelações que motivaram documentários sobre o caso que chocou o mundo.
Virginia não chegou a ver o livro, escrito em parceria com a jornalista Amy Wallace, ser publicado em outubro de 2025. Ela se suicidou meses antes, aos 41 anos, em sua fazenda na Austrália, deixando órfãos os três filhos que teve com Robbie Giuffre, a quem acusava de violência doméstica. Os depoimentos da vítima, que permaneceu na rede de exploração até os 19 anos, foram fundamentais para levar o casal à prisão; onde ele se suicidou em agosto de 2019.
