Vídeo de Lula repetindo “ano da colheita” ao longo dos anos levanta uma questão: senilidade ou estratégia política deliberada?

Jonadas Callegari
2 min de leitura

Em 2023, o presidente Lula passou a adotar uma frase que se repetiria ao longo de todo o chamado “Lula 4”: a ideia de que o próximo ano seria o “ano da colheita”, como forma de projetar expectativas de melhora sempre para o período seguinte. É inegável que essa pode ser interpretada como uma estratégia política deliberada, com o objetivo de manter sua base mobilizada, alimentar o debate nas redes e influenciar a opinião pública.

Contudo, essa repetição levanta questionamentos. Em 2024, o presidente voltou a afirmar que aquele seria “esse ano de 2024 é o ano da gente começar a colher, aquilo tudo o que foi plantado em 2023.”. Já em 2025, em entrevista ao programa Fantástico, reforçou novamente: “nós já plantamos, agora 2025 é o ano da colheita, agora vamo começar a colher o que nós plantamos”. Em 2026, durante entrevista ao ICL Notícias, repetiu o mesmo raciocínio, ao dizer que “2026 é o ano da colheita, nós reconstruímos, preparamo a terra e plantamo”.

Poucos dias após essa última declaração, uma pesquisa do Datafolha indicou, pela primeira vez, o presidente numericamente atrás do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, que aparece com 46% contra 45% de Lula. O resultado representa um revés relevante no cenário político e intensifica o debate sobre a eficácia desse tipo de discurso.

Diante desse contexto, cresce a dúvida: trata-se de uma estratégia política consciente ou de uma repetição excessiva que pode desgastar a comunicação? É provável que essas falas sejam amplamente exploradas por adversários em campanhas futuras, com a circulação de vídeos relembrando as declarações. Resta saber até que ponto essa narrativa ainda se sustenta diante do eleitorado.

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