A bicampeã olímpica dos 800 metros rasos, Caster Semenya, desabafou neste domingo (29) sua frustração com a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, após o anúncio de novas regras que restringem a participação de atletas trans nos Jogos Olímpicos a partir de 2028.
Durante uma conferência na Cidade do Cabo, a atleta, sul-africana, criticou a decisão, chamando-a de “uma falta de respeito às mulheres” e questionando a exigência de comprovação de gênero para competir. Ela também expressou surpresa pelo fato de a medida ter sido implementada sob a liderança de uma mulher.
“Pessoalmente, para ela, como líder, ela é africana, tenho certeza que ela entende como, você sabe, nós, como africanos, viemos, como um Sul international, você sabe, você não pode controlar a genética”, declarou.
“Para mim, pessoalmente, direi que a voz não é ouvida porque você interpreta isso como uma caixa de seleção, marca uma caixa para poder esclarecer ou dizer sim, consultamos. Para mim, é você marcando a caixa”, acrescentou.
Caster afirmou que a exigência de testes para “provar” o gênero das esportistas equivale a questionar o direito das mulheres de competir, reforçando desigualdades já presentes no esporte de alto nível.
A esportista nasceu com características intersexuais, o que faz com que seu corpo produza níveis naturalmente mais altos de testosterona. Por esse motivo, ela já foi impedida de competir em grandes competições internacionais. Desde 2019, Semenya se recusa a seguir as regras que exigem o uso de medicamentos para reduzir artificialmente seus níveis hormonais.
O COI anunciou, na última quinta-feira (26), uma nova política de elegibilidade que restringe a participação de mulheres trans nas Olímpiadas. A regra começará a valer a partir das Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e determina que apenas “mulheres biológicas” poderão competir na categoria feminina, com a definição baseada em um exame específico do gene SRY, presente no cromossomo Y.
