Testemunhas relatam que o tenente-coronel batia na filha da PM Gisele

Nayara Vieira
2 min de leitura
PM Gisele Alves e filha (Foto: Redes sociais)

As investigações sobre o feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, revelam novos detalhes sobre o comportamento do principal suspeito, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Depoimentos colhidos pela Corregedoria da Polícia Militar indicam que o oficial mantinha uma relação conturbada com a família da esposa, chegando a agredir a filha da PM Gisele.

De acordo com essas testemunhas, o tenente não gostava da enteada. Em interrogatório realizado no dia 19 de março, o militar justificou sua ausência no velório da companheira como uma forma de evitar contato com os pais da vítima.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como suicídio — com base na versão do marido, que alegou ter ouvido o disparo logo após sair do quarto —, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) descartaram essa hipótese. O tenente-coronel, de 53 anos, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março, indiciado por feminicídio qualificado e fraude processual.

A mudança no curso do inquérito baseou-se em laudos periciais que apontaram contradições fatais na versão do oficial. O exame necroscópico revelou que a trajetória do tiro, disparado com a arma encostada na cabeça, é incompatível com um ato autoinfligido. Além disso, a perícia encontrou sinais de violência física anteriores ao disparo, como hematomas nos olhos, marcas de dedos e arranhões no pescoço e no rosto, sugerindo que a soldado foi imobilizada antes de ser morta.

O conjunto de evidências extraídas de dispositivos eletrônicos e a análise da cena do crime reforçam os indícios de que houve manipulação do local para simular um suicídio.

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