Sob comando de Dino, STF coloca capacidade fiscalizatória da CVM no “banco dos réus”

Nayara Vieira
2 min de leitura
Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino — Foto: Getty Images via BBC

O Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 4 de maio uma audiência pública para debater as limitações fiscalizatórias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A decisão ocorre em meio a uma crise de confiança após a autarquia admitir possíveis falhas no monitoramento do Banco Master. O objetivo é discutir como o órgão, responsável por regular o mercado de capitais, pode ser fortalecido para evitar novas brechas no sistema financeiro nacional.

A preocupação das autoridades é fundamentada pela migração estratégica do crime organizado, que tem trocado o tráfico de drogas convencional pela lavagem de dinheiro em setores complexos. O uso de fundos de investimento, fintechs e empresas de fachada tornou-se a nova fronteira da criminalidade, sendo o “caso Master” apontado como um dos exemplos mais nítidos desse avanço sobre as instituições financeiras.

Um dos pontos centrais do debate é o desequilíbrio orçamentário da autarquia. Nos últimos três anos, a CVM arrecadou R$ 2,4 bilhões em taxas de fiscalização, mas teve acesso a apenas R$ 670 milhões para suas operações. Esse contingenciamento de recursos tem asfixiado a capacidade de atuação do órgão, limitando investimentos em tecnologia e na contratação de pessoal especializado para investigar movimentações suspeitas.

O próprio presidente interino da CVM admitiu, em depoimento ao Senado, que a equipe atual opera muito além da capacidade máxima. Segundo ele, diversos processos de fiscalização e punição poderiam ter apresentado resultados mais ágeis se houvesse um quadro de funcionários adequado. A audiência no STF deve colocar em xeque o modelo atual de financiamento, buscando garantir que a CVM cumpra seu papel de proteger a economia contra o crime organizado.

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