Servidor do TST que abusou de aluna em Águas Claras disse “vai dar merda” em áudio

Nayara Vieira
3 min de leitura
Servidor do TST que abusou de aluna em Águas Claras disse “vai dar merda” em áudio (Reprodução)

Um escândalo de importunação sexual e coação psicológica envolvendo um servidor do Tribunal Superior do Trabalho (TST) abalou o Judiciário e o setor educacional do Distrito Federal. A prova central do caso é uma gravação de quase 20 minutos feita corajosamente por uma adolescente de 16 anos durante uma aula particular em Águas Claras. No áudio, a jovem confronta Elmer Catarino Fraga, de 63 anos, exigindo respeito: “Eu queria pedir pro senhor, pra na próxima aula, o senhor sentar aqui, e eu sentar ali. Eu nunca te dei essa ousadia, assim, do senhor ficar pegando na minha coxa, o senhor ficar pegando o meu pescoço”. Informações do Metrópoles.

Diante da resistência da estudante, o servidor público, que atuava como professor particular de matemática, passou a utilizar um tom que alternava entre o vitimismo e a ameaça velada para garantir a impunidade. O registro revela o esforço sistemático de Elmer para silenciar a vítima através do medo. “Se você falar com a sua avó que falou comigo, esse negócio não vai prestar, vai dar merda. Vai desenvolver uma coisa tão complicada… pode ser até uma coisa mais desagradável”, sentenciou o homem, sem saber que cada palavra estava sendo gravada.

O material detalha ainda a tentativa desesperada do professor em evitar que o pai da adolescente tomasse conhecimento dos toques invasivos. Em diversos trechos da gravação, o servidor implora por segredo, tentando convencer a menina de que os abusos seriam fruto de uma interpretação equivocada dela. Ele chega a sugerir que ela minta para a família: “Você jura pela alma da sua mãe? Você fala que eu sentei aqui e você sentou lá e que não era bem aquilo que você estava imaginando. Você faz isso comigo?”, questionou o suspeito.

A coação psicológica atingiu o ápice quando o servidor evocou o risco de morte e a possibilidade de um desfecho fatal para encerrar a discussão. Tentando transferir a responsabilidade da gravidade da situação para a adolescente, ele utilizou a intimidação como última ferramenta de controle. “A palavra, minha filha, assim como você pode transformar isso numa tragédia, a gente pode terminar sem tragédia”, afirmou, condicionando a segurança de ambos à omissão da denúncia.

O caso agora segue sob investigação das autoridades, tendo o áudio como peça fundamental para a caracterização do crime e das pressões sofridas pela menor. O desabafo inicial da jovem, embora carregado de nervosismo, tornou-se o ponto de partida para expor o comportamento do mentor que deveria zelar por sua educação. Como ele mesmo afirmou no trecho que encerra a tensão da gravação, a busca pelo silêncio era sua prioridade: “Você fala que não era bem aquilo que você estava imaginando”.

MARCADO:
Compartilhar este artigo