Roger Machado cai no São Paulo e escancara mais um capítulo de uma gestão sem rumo

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Roger Machado | Foto: Ettore Chiereguini/AGIF

A passagem de Roger Machado pelo São Paulo chegou ao fim. E, sinceramente, o desfecho parece muito menos sobre futebol e muito mais sobre o retrato de uma gestão perdida, contraditória e cada vez mais desacreditada pela torcida.

A demissão do treinador acontece após derrota e eliminação do São Paulo para o Juventude na Copa do Brasil, mas também poucos dias depois do vazamento de um áudio em que Harry Massis Júnior garantia que Roger não seria demitido por “falta de dinheiro”. O problema é que, pouco tempo depois, o próprio clube fez exatamente isso: demitiu o técnico.

A contradição resume bem o momento do São Paulo. Falta planejamento, falta convicção e sobra improviso.

E é importante deixar uma coisa clara: Roger Machado não é o grande culpado dessa história. Suas limitações como treinador sempre foram conhecidas. A reação negativa da torcida à sua contratação não nasceu do nada. Pelo contrário, era consequência direta da forma como Hernán Crespo havia sido demitido e da ausência de qualquer sinal claro de evolução no projeto esportivo do clube.

O erro, portanto, vem de antes.

A decisão de trocar Crespo por Roger já parecia pouco convincente no momento em que foi tomada. E agora, poucos meses depois, o próprio clube admite isso ao encerrar o trabalho de maneira precoce. Mais uma vez, o São Paulo interrompe um processo sem apresentar uma ideia sólida para o que vem depois.

Enquanto isso, as figuras centrais da diretoria seguem intactas. Rui Costa continua acumulando desgaste com a torcida, Harry Massis amplia a sensação de falta de comando – ou melhor, de péssimo comando. E Rafinha, peça influente em decisões recentes do futebol, também passa a fazer parte dessa conta política.

E talvez o ponto mais curioso dessa história seja outro.

Durante a chegada de Roger Machado, houve quem tentasse transformar a rejeição da torcida em um debate racial, insinuando que as críticas ao treinador tinham relação com racismo. A tese ignorava completamente o contexto esportivo, o histórico recente do técnico e, principalmente, a insatisfação generalizada com a condução da diretoria.

Agora, com a própria gestão optando pela demissão de Roger em pouco tempo de trabalho, fica inevitável a ironia: os mesmos critérios usados para acusar a torcida também serão usados para questionar a diretoria? A resposta provavelmente é não.

Porque no fim das contas, o caso nunca foi sobre raça. Sempre foi sobre futebol, gestão e escolhas ruins.

E o São Paulo segue preso exatamente nisso: decisões apressadas, falta de continuidade e uma diretoria que parece cada vez mais distante da realidade do clube.

Roger Machado caiu. Mas os problemas do São Paulo seguem muito vivos… E bem distantes da resolução.

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