Putin e Xi Jinping discutem energia, comércio e nova ordem mundial em Pequim

André Oliveira
2 min de leitura
O presidente russo, Vladimir Putin, é recebido pelo presidente chinês, Xi Jinping, durante cerimônia no Fórum do Cinturão e Rota em Pequim, China

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, se reuniram nesta quarta-feira (20) em Pequim para reforçar a parceria estratégica entre os dois países em meio ao cenário de tensões globais e disputas geopolíticas com os Estados Unidos. Durante o encontro, os líderes destacaram os avanços da chamada “parceria abrangente” entre Moscou e Pequim e defenderam um sistema internacional menos dependente da influência norte-americana. A cerimônia de recepção a Putin contou com guarda de honra, salva de tiros e manifestações de apoio de crianças chinesas e russas no Grande Salão do Povo, repetindo o forte simbolismo diplomático adotado por Xi nos últimos encontros internacionais.

Entre os principais temas debatidos estiveram cooperação energética, comércio bilateral, tecnologia e governança global. Os dois governos também criticaram o projeto “Domo Dourado”, ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora não tenham anunciado avanços concretos sobre o aguardado gasoduto Power of Siberia 2, considerado estratégico para ampliar o fornecimento de gás russo à China. Além disso, os líderes reforçaram o alinhamento político em temas internacionais e demonstraram interesse em ampliar a integração econômica e tecnológica entre as duas potências, especialmente em um momento em que a Rússia busca reduzir os impactos das sanções ocidentais e fortalecer sua presença no mercado asiático.

A visita de Putin acontece poucos dias após a passagem de Trump por Pequim, movimento que ampliou o peso diplomático da China no cenário internacional. Analistas apontam que Xi Jinping tem utilizado a aproximação simultânea com Washington e Moscou para consolidar a imagem de Pequim como peça central nas negociações globais. A reunião também evidenciou a crescente dependência econômica da Rússia em relação à China, principalmente nos setores de energia e comércio exterior. Mesmo sem anúncios considerados históricos, o encontro reforçou a aliança estratégica entre os dois países e o discurso conjunto em defesa de uma ordem mundial “multipolar”, em contraposição à influência ocidental liderada pelos Estados Unidos.

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