O delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pela investigação do feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, revelou detalhes sobre a conduta do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto no dia do crime. Segundo Lopes, o oficial agiu como um “estrategista ao extremo” e “manipulador” ao levar o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan ao apartamento do casal, no Brás. Para a Polícia Civil, a intenção do réu era utilizar a autoridade do magistrado como uma ferramenta de influência para validar sua versão de que a esposa teria cometido suicídio.
De acordo com o delegado, o tenente-coronel tentou transformar o desembargador em uma figura central de seu álibi. “Ele [Cogan] era mais uma peça do xadrez que ele [tenente-coronel] estava criando para a história dele”, afirmou Lopes em entrevista ao podcast True Crime, do SBT News.
A investigação aponta que Rosa Neto acreditava que a relevância do cargo de Cogan poderia intimidar os policiais que atenderam a ocorrência ou conferir credibilidade à sua narrativa, demonstrando que possuía supostas conexões no Judiciário.
Apesar da tentativa de manipulação, o delegado destacou que o magistrado não interferiu no trabalho policial. Imagens de câmeras corporais registraram Cogan “extremamente constrangido” e evidenciaram que ele só se identificou funcionalmente ao final da ocorrência, após ser questionado. Lopes reforçou que o desembargador não teve contato com objetos da cena do crime e apenas ouviu a versão do oficial. “Ele [Cogan] fica alguns minutos lá, não interfere na ocorrência, não tem contato com nenhum objeto da cena do crime, pelo contrário, ele tá ali escutando aquela mesma versão do tenente-coronel”, explicou.
Por fim, a Polícia Civil ressaltou que a estratégia do tenente-coronel foi ineficaz. O delegado enfatizou que a suposta rede de influências pretendida pelo réu não afetou o rigor do inquérito, resultando em sua prisão preventiva e indiciamento por feminicídio e fraude processual. “Ele [Rosa Neto] queria demonstrar pros demais que ele era um cara, embora não seja, que tinha influências. Mas ele não tem essa influência perante o judiciário, perante os superiores. Porque ele não foi beneficiado em nada nessa investigação”, concluiu Lopes.
