PM Gisele dizia a colegas que temia ser morta por tenente-coronel

Nayara Vieira
3 min de leitura
PM Gisele dizia a colegas que temia ser morta por tenente-coronel (Reprodução: Redes sociais)

Novos depoimentos de colegas de trabalho da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, revelam que ela vivia sob constante medo e já previa um desfecho violento em sua casa. Pelo menos duas amigas de farda confirmaram à polícia que Gisele desabafou diversas vezes sobre o comportamento agressivo do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Em uma das conversas, após uma discussão no carro, a vítima chegou a perguntar a uma amiga se ela achava que o oficial teria coragem de matá-la, demonstrando o nível de insegurança em que vivia.

Os relatos obtidos pela investigação são impactantes e mostram que Gisele se sentia acuada. Em outro desabafo, ela afirmou a uma colega: “ou ele me mata, ou eu mato ele para me proteger”, indicando que já considerava uma situação de “tudo ou nada” caso as agressões piorassem. Essas testemunhas também trouxeram à tona um episódio grave ocorrido dentro do próprio quartel onde o casal trabalhava: o tenente-coronel teria sufocado Gisele em um corredor após uma briga, cena que teria sido gravada pelas câmeras de segurança do local.

Além da violência física, os depoimentos descrevem Geraldo como uma pessoa “manipuladora” e com um comportamento obsessivo pela esposa. Colegas notavam que a personalidade de Gisele mudava completamente quando o marido estava por perto; ela ficava retraída e evitava chamar qualquer atenção para não causar novas discussões. Esse ambiente de controle e medo confirma o que a mãe da vítima já havia alertado em depoimento, ao dizer que o relacionamento, marcado por queixas de agressividade desde o primeiro ano, infelizmente “iria acabar em tragédia”.

O tenente-coronel foi preso nesta semana sob suspeita de feminicídio, e as declarações das testemunhas agora servem como peças fundamentais para a polícia entender o que acontecia antes do crime. O caso acende um alerta sobre como a violência doméstica pode atingir até mesmo mulheres que trabalham na área da segurança pública, e como os sinais de perigo eram visíveis para quem convivia com o casal. As investigações continuam para analisar as imagens das câmeras do quartel e outros elementos que possam reforçar a acusação contra o oficial.

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