A Igreja Anglicana anunciou a nomeação de Sarah Mullally como nova arcebispa da Cantuária, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em mais de 1.400 anos de história. Aos 63 anos, a religiosa — que também é ex-enfermeira — passa a liderar cerca de 85 milhões de anglicanos em todo o mundo, assumindo a principal posição da instituição após a saída de Justin Welby.
A escolha marca um momento histórico, mas também amplia tensões internas dentro da igreja. A nomeação de uma mulher para o posto mais alto do anglicanismo gerou críticas de alas conservadoras, especialmente em países africanos, onde há resistência à ordenação feminina e a pautas consideradas mais liberais. Mullally, que já defendeu a bênção a casais do mesmo sexo, terá o desafio de equilibrar visões divergentes entre fiéis ao redor do mundo.
Além das divisões teológicas, a nova líder assume em um contexto delicado para a Igreja Anglicana, que enfrenta queda no número de fiéis, desafios financeiros e o impacto de escândalos recentes de abuso sexual. Em seu primeiro discurso, Mullally destacou a necessidade de promover segurança, enfrentar essas crises e buscar união entre os membros da instituição, reforçando o papel da igreja em um cenário cada vez mais secular.
