O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de feminicídio e fraude processual, foi aposentado com salário integral pela Polícia Militar de São Paulo (PMSP). Os pais de Gisele Vieira Alves de Santana, morta em fevereiro com um tiro na cabeça, manifestaram revolta e indignação com a decisão.
“Para aposentar, ele foi rápido. Para minha filha, sobrou o caixão e o luto para a família”, disseram José Simonal Telles e Marinalva Vieira Alves de Santana.
A corporação publicou, nesta quinta-feira (2), uma portaria de inatividade informando que, segundo a lei, o oficial tem direito à aposentadoria com base nos critérios proporcionais de idade, recebendo vencimentos integrais. Na prática, ele foi colocado na reserva e continuará recebendo o salário que, em fevereiro de 2026, antes da prisão, era de R$ 28,9 mil brutos, conforme dados do Portal da Transparência do Governo de São Paulo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o pai da soldado questiona o valor do salário bruto que será pago ao tenente. O casal encerra a gravação expressando indignação e tristeza. “É muito revoltante ver um assassino ser aposentado”, afirmou a mãe da vítima.
O advogado da família da PM, José Miguel da Silva Júnior, afirmou ter recebido a informação de que o pedido para a manutenção do salário foi feito em menos de uma semana. Ele também questionou a decisão, destacando que a própria polícia não tolera condutas incompatíveis com a função. “Não é justo que alguém que cometeu um crime tão bárbaro continue recebendo valores às custas da população, inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos”, declarou.
Geraldo está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março, por determinação da Justiça Militar.
